Economia

Uruguai reabre portas ao frango brasileiro: embargos caem para 3% das exportações

Caminhão frigorífico com frango brasileiro para exportação ao Uruguai, simbolizando retomada comercial
Brasil retoma exportação de frango ao Uruguai com embargo restrito a 3% da produção

O Uruguai autorizou na sexta-feira (6) a retomada das compras de frango e derivados do Brasil, confinando as restrições sanitárias a apenas quatro municípios de Santa Catarina. A decisão remove o último embargo de abrangência nacional imposto após a detecção da doença de Newcastle em outubro.

México e Malásia já haviam revertido bloqueios semelhantes nas semanas anteriores. Com isso, nenhum parceiro comercial mantém veto geral ao produto brasileiro — um cenário bem diferente do registrado em 2024.

De 74 para 19 dias: a velocidade da reversão

O ministro da Agricultura, André de Paula, comparou o tempo de resposta nas duas ocorrências recentes. No surto do Rio Grande do Sul no ano passado, o Brasil levou 74 dias para derrubar embargos nacionais. Desta vez, o prazo caiu para 19 dias contados da primeira restrição comercial.

Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, o resultado reflete o reconhecimento da regionalização pelos importadores:

“Quando um país reconhece a regionalização, ele entende que uma ocorrência sanitária em determinado município não representa, necessariamente, um risco para a produção de todo o território brasileiro.”

Onde ficam as restrições agora

Os vetos remanescentes atingem apenas a área de restrição sanitária delimitada pelo Mapa, que abrange:

  • Nova Itaberaba (foco inicial, 18/10)
  • Coronel Freitas
  • Nova Erechim
  • Águas Frias

Produtos originários desses quatro municípios seguem impedidos de embarque para o exterior, em cumprimento a compromissos internacionais de saúde animal. Arábia Saudita, China e Chile já aplicavam restrições apenas a Santa Catarina — a China negociou essa regionalização diretamente com o governo brasileiro.

Impacto mensal estimado em 15 mil toneladas

Com os embargos confinados à zona de restrição, a perda projetada nas exportações avícolas gira em torno de 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a aproximadamente 3% da média mensal brasileira, que ronda 500 mil toneladas.

O ministério informou que a próxima etapa será negociar a limitação dos vetos estaduais. O objetivo: restringir as barreiras exclusivamente à área afetada, liberando o restante de Santa Catarina — estado relevante na produção e exportação de carne de frango.

Segurança para o consumo interno

O Mapa reiterou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A doença de Newcastle não oferece risco à saúde humana por meio de alimentos devidamente processados e inspecionados.

O que observar nas próximas semanas

A evolução das negociações para suspender os embargos ao restante de Santa Catarina será o termômetro da capacidade brasileira de manter fluxos comerciais estáveis diante de eventos sanitários localizados. A rapidez na reversão dos vetos nacionais — 19 dias contra 74 no episódio anterior — sugere ganhos de credibilidade junto aos importadores, mas a consolidação desse patamar depende da manutenção da transparência nas informações zoossanitárias e do cumprimento dos protocolos de zoneamento reconhecidos internacionalmente.