Economia

Franquia troca funcionários por máquinas e margem salta para 40%

Máquina de venda automática Le Petit Macarons exibindo macarons coloridos em shopping
Máquina de venda automática da Le Petit Macarons substitui quiosques tradicionais e eleva margem a 40%

A Le Petit Macarons decidiu enfrentar a escassez de mão de obra substituindo quiosques por máquinas de venda automática — e a rentabilidade saltou de 10% para até 40%. A rede tem hoje 28 unidades físicas e quatro equipamentos em teste, mas a meta é chegar a cem máquinas em 2027.

O movimento ganhou força após a aprovação do fim da escala 6×1: em duas semanas, os pedidos de máquinas por franqueados passaram de uma por semana para cinco. Mas a explicação vai além da legislação.

O cálculo que mudou o jogo

Um quiosque exige, no mínimo, três funcionários e aluguel a partir de R$ 7.000. A máquina precisa de um único reabastecedor para várias unidades e custa cerca de R$ 1.000 em ocupação. Resultado: a margem líquida pula da casa de 10% para 30% a 40%.

Em dinheiro no bolso, há máquinas que já superam quiosques tradicionais. O faturamento unitário é menor, mas a estrutura enxuta inverte a equação final.

Máquinas não canibalizam — elas alimentam a loja

O medo inicial dos franqueados era perder vendas para o autosserviço. O oposto aconteceu. O cliente experimenta sabores na máquina (framboesa, pistache, amora), sente falta de outros (bergamota, brownie, creme brulé) e vai ao quiosque completar a compra — levando mais itens do que planejava.

O modelo funciona como vitrine 24 horas sem custo de equipe noturna.

De onde veio a ideia

Roger Coelho e a sócia Valquiria De Marco viram o conceito nos Estados Unidos, onde vending machines vendem bolos, cookies e brownies com naturalidade. Testaram coleções pré-selecionadas para o público que quer rapidez: “três macarons, não importa o sabor, é para presente e estou com pressa”.

A crise de atendentes — porta de entrada no mercado de trabalho — acelerou a decisão. “Não quero entrar no motivo da crise. Não importa. Eu entendo que as pessoas estão tentando se qualificar cada vez mais”, resume Coelho.

Escala 6×1 foi gatilho, não causa

O cofundador insiste: o problema existia antes do debate legislativo. A aprovação apenas tornou a urgência visível. “Ou você fica chorando ou dá jeito de vender lenço.”

Os números confirmam: a rede cresceu 13,08% em 2025 sobre 2024 e projeta mais 16,12% em 2026. A primeira loja nos EUA deve abrir no próximo ano.

O que observar daqui para frente

O teste real será a escalabilidade: manter a qualidade do produto resfriado, gerenciar logística de reabastecimento distribuído e medir se o efeito “vitrine” se sustenta com dezenas de máquinas. Se o modelo se confirmar, outras redes de varejo alimentício podem seguir o mesmo caminho — não por inovação tecnológica, mas por aritmética pura de sobrevivência.