Internacional

Europa sorri, França pune: o paradoxo que ameaça Filipe Luís no Monaco

Filipe Luís técnico do Monaco com expressão preocupada durante coletiva de imprensa com logotipo do clube ao fundo
Filipe Luís enfrenta pressão no Monaco após dois meses sem vitórias na Ligue 1 apesar do bom momento na Europa

O Monaco completa dois meses sem vencer na Ligue 1 e despencou da liderança para a sétima colocação. A estreia de Filipe Luís no futebol europeu, antes tratada como conto de fadas, virou uma corrida contra o tempo para evitar o colapso total no campeonato doméstico.

Se o time não superar o Le Mans fora de casa, o jejum atinge marcas históricas negativas. A pressão interna explode justamente quando a equipe brilha no cenário continental.

Os números que expõem a queda livre

A última vitória na liga francesa aconteceu em 18 de setembro, contra o Lens (2 a 1). De lá para cá, o aproveitamento despencou: apenas dois pontos conquistados dos últimos 12 disputados. O saldo recente acumula dois empates — Lille e Toulouse — e duas derrotas doloridas para Paris FC e Lorient.

Com 15 pontos em nove rodadas, o Monaco faz seu pior início de temporada em cinco anos. Em 2023/24, a equipe já somava 17 pontos nesta mesma etapa. A distância para o líder PSG já bate cinco pontos, transformando a briga pelo título em miragem precoce.

  • Jejum: 4 jogos sem vencer na Ligue 1 (2E, 2D)
  • Aproveitamento recente: 16,6% dos pontos possíveis
  • Posição atual: 7º lugar (era 1º nas rodadas iniciais)
  • Défice para o líder: 5 pontos

O diagnóstico do vestiário e a “pressão excessiva”

Após a derrota por 3 a 1 para o Paris FC, Filipe Luís afastou a tese de falta de motivação. O técnico apontou um excesso de intensidade mal calibrada: a equipe “vai com tudo quando não é necessário”, o que tem gerado desequilíbrios táticos e expulsões evitáveis.

A leitura interna é de que o grupo tenta forçar jogadas para reverter o momento, mas acaba se expondo a contra-ataques letais. A correção de comportamento virou prioridade máxima nos treinos desta semana.

O respiro europeu que mascara a ferida doméstica

Curiosamente, o inferno francês contrasta com o paraíso na Conference League. O Monaco é um dos quatro únicos times com 100% de aproveitamento na competição — ao lado de Lugano, Panathinaikos e Twente. Três jogos, três vitórias, incluindo o 2 a 0 sobre o Nordsjaelland.

O torneio funciona como “terceira divisão” da Champions, reunindo clubes que ficaram fora da elite continental. O último campeão foi o Crystal Palace. Para a diretoria monegasca, a campanha europeia serve de válvula de escape, mas não apaga a obrigação de voltar ao G-4 nacional.

O fantasma de 2017 e a sombra de Leonardo Jardim

O Monaco não ergue a taça da Ligue 1 desde 2016/17, época de Leonardo Jardim e do jovem Mbappé. Na temporada passada, o time terminou em sétimo e perdeu a vaga na Champions League. Repetir o roteiro seria um golpe duro no projeto de recolocação da marca no topo europeu.

Filipe Luís herdou um elenco competitivo, mas com fragilidades defensivas expostas nas transições rápidas. A janela de janeiro surge como última chance real de corrigir o elenco antes do returno decisivo.

O que observar nas próximas rodadas

O duelo contra o Le Mans funciona como divisor de águas. Uma vitória não apaga a crise, mas estanca a hemorragia e devolve fôlego para o trabalho de correção tática. Derrota ou empate amplificam os rumores de instabilidade no cargo.

Dois indicadores definirão a trajetória até o fim do ano: a solidez defensiva nos primeiros 20 minutos de jogo — onde o time tem sofrido gols bobos — e a capacidade de converter o domínio de posse em chances claras, métrica que despencou 40% nas últimas quatro partidas. O mercado de inverno será o termômetro real da confiança da diretoria no projeto do brasileiro.