Economia

Novas regras do VR e VA: o que muda no seu bolso a partir de sábado…

Trabalhador pagando refeição com cartão VR/VA no celular, simbolizando nova interoperabilidade entre operadoras
Novas regras permitem usar VR e VA em qualquer maquininha, sem restrição de bandeira a partir de sábado.

As novas regras para vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) entram em vigor neste sábado (7) e alteram a forma como milhões de brasileiros usam o benefício no dia a dia. A principal mudança é a interoperabilidade total entre operadoras, mas o trabalhador ganha mesmo é mais liberdade na hora de pagar a conta. O que não muda, porém, pode te surpreender.

O fim da “bandeira não aceita”

Chegar no caixa e ouvir que “não aceitamos essa bandeira” deve virar coisa do passado. O Decreto nº 12.712 obriga as administradoras a compartilharem suas redes de estabelecimentos credenciados. Na prática, um único terminal de pagamento passa a ler cartões de diferentes empresas, sem que o comércio precise assinar contrato com cada uma delas.

Para o trabalhador, a consequência imediata é a expansão drástica dos locais onde o cartão funciona. Restaurantes, mercados e padarias que antes recusavam sua operadora específica agora tendem a aceitar o pagamento sem entraves.

O que você não vai poder fazer (e muita gente confunde)

A ampliação da rede não altera a natureza do benefício. O VR segue exclusivo para refeições prontas — almoço, jantar, lanches — em restaurantes e afins. O VA continua restrito a gêneros alimentícios em supermercados e mercearias. A lista de proibições permanece rigorosa:

  • Bebidas alcoólicas;
  • Medicamentos e cosméticos;
  • Eletrônicos, roupas, utensílios domésticos;
  • Combustíveis e produtos de higiene.

Mesmo que o supermercado venda TV ou celular, o cartão não passa. A fiscalização do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) considera essas compras irregulares.

Dinheiro na mão? Esqueça

Uma das dúvidas mais frequentes segue com resposta negativa: não é permitido sacar o saldo, transferir para conta bancária ou “passar” o valor para outra pessoa. Tampouco é permitido mover saldo entre VR e VA. Acordos informais com comerciantes para transformar o crédito em espécie continuam configurando fraude, passível de multa e exclusão do programa.

Os cartões multibenefícios (que reúnem VR, VA, mobilidade, cultura etc. no mesmo plástico) não serão proibidos. A exigência é apenas que os saldos do PAT fiquem identificados e segregados dos demais.

O alívio para o comerciante: teto de taxa e prazo curto

Se o trabalhador ganha rede, o empresário ganha previsibilidade financeira. As regras estabelecem dois pilares duros para as operadoras:

  • Taxa máxima de 3,6% sobre a transação;
  • Repasse em até 15 dias corridos.

Historicamente, taxas elevadas e prazos de 30 a 40 dias sufocavam o fluxo de caixa de bares, restaurantes e mercadinhos. A expectativa do setor é que a medida torne a aceitação dos vales atrativa até para o pequeno varejo, que muitas vezes recusava bandeiras específicas justamente pelo custo operacional.

Recusaram seu cartão? Saiba como reagir

O estabelecimento não é obrigado a aceitar VR/VA. Mas, se já aceita o benefício e recusa sua bandeira, pode haver falha de integração ou descumprimento da norma. O caminho recomendado:

  1. Registre data, local e, se possível, a mensagem de erro da maquininha;
  2. Reclame na operadora do cartão e no RH da sua empresa;
  3. Se não resolver, acione o Procon ou a Auditoria-Fiscal do Trabalho.

Cobrar taxa extra do cliente ou exigir valor mínimo para aceitar o cartão segue sendo prática abusiva, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor.

Multas pesadas e recadastramento obrigatório

Quem descumprir a legislação — operadoras, comércios ou facilitadoras — está sujeito a multas de R$ 5 mil a R$ 50 mil (Lei nº 6.321), dobradas em caso de reincidência ou obstrução à fiscalização. O objetivo é garantir que o recurso cumpra sua finalidade: alimentação do trabalhador.

Atenção, gestores e contadores: Empresas cadastradas no PAT têm até 9 de novembro de 2026 para atualizar dados no novo sistema governamental. Quem perder o prazo será excluído automaticamente e precisará pedir nova inscrição.

O que observar daqui para frente

A interoperabilidade plena é um processo de implementação, não um interruptor. Falhas pontuais de integração entre operadoras devem ocorrer nos primeiros meses. Acompanhe se a rede de aceitação do seu cartão efetivamente aumentou no seu bairro e fiscalize o prazo de 15 dias no repasse ao seu fornecedor — esse é o termômetro real de se a regra pegou. O valor do benefício em si não muda; continua definido por convenção coletiva ou política interna da empresa.