Economia

Gerdau fecha, nasce gigante de 4t e política se renova: a virada em MG

Fechamento da Gerdau em Divinópolis contrasta com monumento calçadista em Nova Serrana e renovação política em MG
Três movimentos opostos redesenham economia e política no Centro-Oeste mineiro

A Gerdau confirmou o encerramento da produção de aço em Divinópolis com 280 demissões imediatas, enquanto Nova Serrana inaugura um monumento de quatro toneladas para celebrar seu polo calçadista e a Câmara do Rio consagra a deputada federal mais jovem de Minas. Três movimentos opostos que redesenham o tabuleiro econômico e político do Centro-Oeste mineiro.

O impacto direto atinge 7,4% dos empregos industriais de Divinópolis e ameaça uma cadeia de dois mil fornecedores. Mas a resposta da região não é uniforme.

O choque siderúrgico em números

A unidade de Divinópolis operava com cerca de 600 trabalhadores antes do anúncio feito na terça-feira (3). Do total, 280 já foram desligados e 120 receberam propostas de transferência para outras plantas do grupo no país. A prefeitura estima que, somados diretos e terceirizados, cerca de mil pessoas percam renda imediata.

O sindicato da categoria alerta para o efeito cascata: a fatia de 7,4% do emprego industrial local representa mais que uma estatística; é a base de arrecadação e consumo de bairros inteiros. Estudos preliminares citados pela administração municipal projetam risco para aproximadamente duas mil empresas da cadeia de serviços e fornecimento.

  • 280 demissões confirmadas até o momento;
  • 120 vagas de transferência oferecidas;
  • ~1.000 pessoas impactadas (diretos + terceirizados);
  • 7,4% do emprego industrial municipal em risco.

O contraponto: identidade como ativo em Nova Serrana

Enquanto Divinópolis absorve o baque, a vizinha Nova Serrana aposta em visibilidade. Um tênis gigante — 3 metros de altura, 5 de comprimento e 4 toneladas de estrutura metálica — foi instalado em frente à rodoviária como primeiro de cinco “cartões-postais” planejados.

A obra, assinada pelo artista plástico Udiery Silva com apoio das secretarias de Educação e Obras, replica produtos do cotidiano exportados pelo município. A estratégia é clara: transformar a força produtiva em símbolo turístico e fixar a marca “capital do calçado” no imaginário de quem passa pela BR-262.

O artista explica que a série prevê ainda sapato social e chinelo em escala monumental. O investimento público em arte urbana funciona aqui como ferramenta de marketing territorial, baixo custo comparado a incentivos fiscais e potencial de engajamento orgânico nas redes sociais.

Renovação política: da tela para o plenário

O terceiro vetor vem da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ana Elisa Santos Silva (PT), eleita a deputada federal mais jovem de Minas nas eleições de 2026, recebeu a Medalha Chiquinha Gonzaga. A honraria, proposta por vereadoras de três partidos (PT, PSOL, PSD), reconhece a trajetória de uma mulher negra que converteu audiência digital em mandato legislativo.

“Comunicar também é fazer política”, registrou a vereadora Tainá de Paula. A medalha sinaliza um eixo de articulação entre mandatos progressistas das duas maiores capitais do Sudeste, podendo facilitar captação de emendas e pautas transversais para a região de origem da parlamentar.

O que observar daqui para frente

Divinópolis precisará acelerar a diversificação produtiva para preencher o vazio deixado pela siderurgia; o sucesso do plano de “cinco cartões-postais” em Nova Serrana será medido pelo fluxo turístico e pela autoestima do empresariado local; e a atuação de Ana Elisa em Brasília testará se a renovação geracional consegue traduzir capital político em recursos concretos para o Centro-Oeste mineiro. Os próximos trimestres dirão qual das três frentes — industrial, simbólica ou institucional — ditará o ritmo da região.