O leilão dos ativos do Banco Master e da Will Financeira transformou móveis de escritório em verdadeiros objetos de desejo, com lances que multiplicam o valor inicial em até quase seis vezes. O pregão eletrônico, que encerra na próxima segunda-feira a partir das 9h30, reúne 445 lotes de uma liquidação extrajudicial que expõe o padrão de consumo corporativo de alto padrão. Mas a disputa desigual entre os itens revela muito sobre o que o mercado realmente valoriza hoje.
O fenômeno das cadeiras Aeron: ergonomia vale ouro
O destaque absoluto vai para as cadeiras Herman Miller, ícones de design ergonômico. Um lote com apenas duas unidades do modelo Aeron já acumula 278 lances e o preço saltou para R$ 11.440. Outro conjunto, com uma única cadeira do mesmo modelo, recebeu 124 ofertas e está em R$ 5.460.
A febre não para nos modelos topo de linha. Um lote com cerca de 10 cadeiras Verus Interwave já registrou 480 lances, alcançando R$ 25.060. Já um pacote maior, com aproximadamente 25 unidades do mesmo modelo, supera R$ 43.670 após 331 ofertas. A liquidez desses ativos sugere que o mercado de escritórios premium e home offices sofisticados segue aquecido, independentemente do destino do banco.
Tecnologia e design: valorização de até 577%
Não só de assentos vive o leilão. A disputa por equipamentos eletrônicos surpreende pela agressividade dos percentuais. Um lote com quatro notebooks Dell, avaliado inicialmente em R$ 672, já ultrapassa R$ 4.552 — uma valorização de 577%.
No segmento de decoração, a assinatura de designers renomados puxa os preços. A poltrona Tetê, criação de Sergio Rodrigues, partiu de R$ 5.600 e já atingiu R$ 10.860, alta de 94%. Itens de “TV cinema” e mobiliário corporativo completo também compõem o cardápio, mas com aquecimento variado.
Onde o interesse esfria: TV gigante e cadeiras Cosm
Nem tudo vira briga de leilão. A televisão LG de 98 polegadas, item de alto valor unitário, saiu de R$ 10.990 para R$ 12.490 — alta modesta de 13,6% com apenas 74 lances. O grande lote com cerca de 20 cadeiras Herman Miller modelo Cosm Média permanece praticamente estagnado no lance inicial de R$ 98 mil.
Essa disparidade indica que o ticket médio alto e a logística complexa de retirada afastam compradores pessoa física e pequenos empreendedores, restringindo a disputa a players institucionais ou revendedores especializados.
- Comissão leiloeira: 5% sobre o valor do arremate + despesas administrativas.
- Pagamento: Até 1 dia útil após aprovação da vendedora.
- Retirada: Desmontagem, transporte e logística por conta do comprador.
- Condição: Itens vendidos “no estado”, podendo ter avarias, desgaste, peças faltantes ou bloqueios eletrônicos.
O que o investidor precisa calcular antes de dar o lance
O edital é claro: a responsabilidade total pela logística recai sobre o arrematante. Para lotes volumosos — como estações de trabalho de 10 lugares (lance atual em R$ 5.050) ou o sofá modular —, o custo de frete e montagem pode tornar o “negócio da China” bem menos atrativo na ponta do lápis. Além disso, a menção a possíveis bloqueios eletrônicos em notebooks e equipamentos de TI exige due diligence prévia; um aparelho travado por gestão corporativa (MDM) pode virar peso de papel caro.
O que observar daqui para frente
O encerramento na segunda-feira tende a concentrar a guerra de lances nos minutos finais, prática padrão em pregões eletrônicos de alta liquidez. Para o profissional de negócios, o termômetro real não é quem leva a poltrona de Sergio Rodrigues, mas o volume de lances nas cadeiras Verus e Aeron: elas sinalizam a disposição do mercado em pagar prêmio por ativos “prontos para usar” em um cenário onde mobiliário corporativo novo sofre com prazos de entrega e inflação de insumos. Quem arrematar visando revenda ou uso próprio deve fechar a conta logística antes de confirmar a oferta.
