O Banco Central do Paraguai iniciou a devolução de depósitos do Ueno Bank por meio de um mecanismo que cobre até R$ 200 mil por pessoa. A proteção vale até para brasileiros que nunca moraram no país vizinho, mas a fila de pagamento tem regras rígidas que deixam muita gente de fora da primeira rodada.
Quem entra na primeira fila do pagamento
O Fondo de Garantía de Depósitos (FGD) funciona como o FGC brasileiro, mas com teto de 75 salários mínimos paraguaios — equivalentes a 228,3 milhões de guaranis, US$ 36,5 mil ou aproximadamente R$ 200 mil na cotação atual. O limite é por CPF ou CNPJ e por instituição, não por conta.
Nesta etapa inicial, só recebem quem preenche três condições simultâneas:
- Saldo total de até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 8,8 mil)
- Zero dívidas com o Ueno Bank (empréstimos, cartão, cheque especial)
- Conta ativa em outro banco ou financeira do Paraguai
Quem se encaixa no perfil recebe o valor integral em até cinco dias úteis, creditado na conta paraguaia de maior saldo. O dinheiro sai em guaranis, convertido pela taxa de 2 de novembro — data em que o processo de resolução começou.
Brasileiros sem conta no Paraguai também estão cobertos
A legislação paraguaia não distingue residentes de não residentes. Se você é titular de depósito elegível, tem direito à garantia. Para quem não possui conta em outro banco local, o FGD abrirá uma poupança em instituição participante do processo.
O Banco Central ainda não confirmou se permitirá transferência direta para contas no Brasil. Enquanto isso, a orientação é monitorar o portal oficial www.bcp.gov.py/fgd-pagos usando CI, RUC ou CRC. O sistema está em carregamento progressivo; se não achar seu registro, tente dias depois.
O que fica fora da garantia: fundos e valores acima do teto
Depósitos a prazo (CDA) entram na cobertura, incluindo juros acumulados até 2 de novembro. Já fundos de investimento não são protegidos pelo FGD. Na terça-feira (3), a Superintendência de Valores suspendeu resgates e aplicações em fundos mútuos ligados ao Ueno Bank — a liberação será gradual, fundo a fundo, conforme comprovação de liquidez.
Valores acima de 228,3 milhões de guaranis não têm garantia. O excedente dependerá da venda de ativos do banco ou transferência de carteira para outra instituição. O BC promete “buscar proteger” o que passar do teto, mas não garante recuperação integral.
Dívidas com o banco viram obstáculo imediato
Clientes com empréstimos ou faturas de cartão vencidas não entram na primeira leva. O regulamento prevê compensação: o que você tem a receber é abatido do que você deve. Esses casos ficarão para etapas posteriores, cujo calendário ainda não foi divulgado.
A lei permite prorrogação de 15 para 30 dias corridos no total para conclusão do processo. O adiantamento da primeira fase, porém, tem prazo curto: até cinco dias úteis a partir de segunda-feira.
Prazos, consulta e alerta de golpes
Guarde extratos, comprovantes e contratos. O aplicativo do Ueno pode estar instável, mas a documentação própria é sua prova. O Banco Central alerta: não forneça senhas, PINs ou códigos, não instale apps indicados por terceiros e não clique em links de mensagens não verificadas.
Cobrança de taxa para “liberar” o dinheiro é golpe. Consulte apenas canais oficiais do BCP.
O que observar nas próximas semanas
Três pontos definirão o desfecho para a maioria dos depositantes: a divulgação do calendário completo para saldos acima de 10 milhões de guaranis, a retomada escalonada dos fundos mútuos suspensos e a definição sobre envio direto de recursos para contas brasileiras. Acompanhar os comunicados do Banco Central do Paraguai continua sendo a única fonte segura de informação.
