O Assaí confirmou que a proibição das apostas esportivas injetou fôlego extra no caixa da rede já em outubro. O efeito apareceu direto no tíquete médio e no fluxo de clientes, sobretudo nas lojas que atendem famílias de baixa renda.
Belmiro Gomes, CEO da atacadista, revelou o dado na teleconferência de resultados do terceiro trimestre. A virada de chave ocorreu logo após 6 de outubro, prazo final para saque dos valores retidos nas plataformas. A partir dali, o movimento nas gôndolas acelerou.
O que os números mostram até agora
O lucro bruto do trimestre fechou em R$ 3,2 bilhões, alta de 2,7% na comparação anual. A margem bruta subiu de 16,7% para 17,2%, sinal de que a empresa conseguiu repassar custos sem perder volume.
O cenário ganhou reforço externo: a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) reportou crescimento de dois dígitos nas duas primeiras semanas de outubro frente a 2023, creditando o salto ao mesmo vetor.
Por que o impacto é assimétrico
Unidades localizadas em bairros periféricos lideraram a alta. Nesse público, a renda liberada das bets migrou direto para alimentação — carnes, hortifrúti e itens de festa de fim de ano.
Há também efeito indireto: pequenos comércios de vizinhança (mercadinhos, padarias, açougues) aumentaram pedidos no atacado para repor estoques. O Assaí atende esse canal e capturou a demanda.
“Se mantida a proibição, provavelmente as famílias terão um Natal mais forte, mais gordo esse ano.” — Belmiro Gomes, CEO do Assaí
Expansão além do caixa: farmácias, postos e recarga elétrica
O resultado sólido abre margem para diversificar. Três frentes avançam em paralelo:
- Farmácias: 11 unidades em São Paulo; meta de 250. Canetas emagrecedoras já figuram entre os itens mais vendidos.
- Postos de combustível: compra de 18 ativos em SP por até R$ 80 milhões; objetivo de médio prazo é chegar a 100.
- Recarga veicular: estações alimentadas por energia solar para reduzir custo ao cliente final.
O desafio trabalhista que chega em dezembro
Enquanto o varejo colhe os frutos do veto às bets, a escala 5×2 (cinco dias de trabalho, dois de folga) entra em vigor em meados de dezembro. Gomes admite que a empresa corre para otimizar processos e reduzir dependência de mão de obra extra — custo que pressiona margens justamente no pico sazonal.
O que observar nas próximas semanas
Três variáveis ditam se o “Natal mais gordo” vira realidade ou miragem:
- Manutenção do veto judicial às apostas online até 31 de dezembro.
- Comportamento da inflação de alimentos nas duas últimas semanas de novembro.
- Capacidade do Assaí de absorver a folga extra da escala 5×2 sem perder produtividade no Natal.
Para investidores e gestores do setor, o recado é claro: a renda liberada das bets tem destino certo — o carrinho de supermercado. Quem estiver bem posicionado no sortimento de festas e na logística de última milha captura a fatia maior. O próximo balanço, já sob efeito cheio da escala 5×2, será o teste de fogo.
