Comprar eletrônicos sem o selo da Anatel não é apenas um detalhe burocrático; é uma aposta arriscada com o seu bolso e sua segurança. A agência retirou de circulação mais de 1,3 milhão de produtos irregulares em apenas um ano. O que parece economia na etiqueta pode virar dor de cabeça técnica e jurídica.
O que o selo realmente garante
A homologação atesta que o equipamento passou por testes rigorosos de compatibilidade, segurança elétrica e emissão de radiação. Não é um “carimbo” administrativo: é a prova de que aquele roteador, carregador ou TV Box não vai derrubar sua rede, superaquecer ou interferir em sinais críticos.
Gilberto Gandelman, CEO da Proeletronic, resume a lógica: o consumidor costuma filtrar por preço e ficha técnica, mas ignora a legalidade do produto. “A homologação é o indicativo de que o equipamento cumpriu os procedimentos previstos para aquela categoria”, afirma.
O tamanho do mercado paralelo
Os números da fiscalização recente assustam. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a Anatel apreendeu:
- 1,3 milhão de unidades irregulares;
- Roteadores e equipamentos Wi-Fi (maior volume);
- Carregadores e fontes de energia;
- Dispositivos de streaming (TV Boxes).
Esses itens circulam livremente em marketplaces, lojas físicas e até em anúncios patrocinados. A procedência duvidosa é o fio condutor de quase todas as apreensões.
O perigo disfarçado de “oferta imperdível”
Falsificações sofisticadas tornaram a inspeção visual inútil. O caso do equipamento SmartPro exemplifica o risco: versões piratas usavam fotos, logotipos e descrições do produto original nos anúncios. Por fora, pareciam idênticos; por dentro, nenhum controle de qualidade.
“Não dá para confiar apenas na aparência ou nas imagens do anúncio”, alerta Gandelman. A engenharia reversa aplicada às fraudes torna o selo físico e o número de registro as únicas garantias reais.
Checklist rápido antes de fechar o pedido
Três passos levam menos de um minuto e blindam a compra:
- Localize o selo da Anatel na embalagem ou no corpo do aparelho (geralmente um código alfanumérico);
- Acesse o sistema Consulta de Produtos Homologados no site da agência e digite o número;
- Confira se fabricante, importador e responsável técnico batem com o vendedor.
Se o lojista não informa o código ou diz que “o produto é importado e não precisa”, feche a aba. A regra vale para qualquer equipamento que emita radiofrequência ou se conecte à rede elétrica/telecom.
O que observar daqui para frente
A tendência é o endurecimento da fiscalização em marketplaces, com responsabilização solidária das plataformas. Para empresas que compram em volume — provedores de internet, integradores, varejo —, validar a homologação do lote antes do recebimento deixa de ser “cuidado” e vira exigência de compliance. O selo barato continua sendo o seguro mais caro que existe.
