Benedito Freire, o Dito, CEO do Consórcio Comauto, não herdou sua frota de carros de luxo — ele planejou cada aquisição usando a própria ferramenta que comanda. A história dele quebra o estigma de que consórcio serve apenas para o primeiro carro popular.
O empresário revela como transformou a paixão por automóveis em uma estratégia financeira replicável. O segredo não está no lance sorteado, mas na disciplina que antecede a contemplação.
Uma paixão que virou método
A admiração pela Porsche começou cedo, mas Dito não esperou o “momento perfeito” para agir. Em vez de financiar com juros altos ou imobilizar capital, ele aderiu a grupos de consórcio com cartas de crédito dimensionadas para cada objetivo.
O primeiro passo foi entender que o consórcio funciona como uma poupança forçada com data marcada. Cada parcela paga antecipa a conquista sem comprometer o fluxo de caixa da empresa ou da vida pessoal.
Entre os veículos adquiridos está um Porsche 911 Carrera S — modelo que, no mercado tradicional, exigiria entrada robusta e financiamento oneroso. No consórcio, o custo se dilui no prazo e a contemplação ocorre por sorteio ou lance.
Por que o consórcio também serve para o alto padrão
Muita gente ignora a modalidade para veículos acima de R$ 300 mil por desconhecer a flexibilidade das cartas de crédito. Os grupos operam com prazos de 60 a 120 meses e valores que acompanham a tabela FIPE.
Veja o que muda na prática:
- Sem entrada: você começa pagando apenas a parcela mensal.
- Lance livre: antecipa a contemplação usando recursos próprios ou FGTS (quando permitido).
- Poder de negociação: a carta de crédito equivale à vista na concessionária.
- Proteção contra juros: a taxa de administração é fixa e conhecida no contrato.
Mas nem tudo são flores: a contemplação imediata não é garantida. Quem entra no grupo precisa aceitar a possibilidade de aguardar o sorteio ou acumular recursos para um lance competitivo.
O planejamento que antecede a assinatura
Dito enfatiza: a escolha do plano define o sucesso da estratégia. Antes de aderir, ele analisa três variáveis que todo investidor deveria conferir:
- Prazo total versus idade do bem desejado no momento da retirada.
- Taxa de administração efetiva comparada ao custo de um financiamento tradicional.
- Liquidez da carta: alguns grupos permitem vender a cota contemplada se o plano mudar.
Essa visão de gestor de riscos evita surpresas. O consórcio não é investimento — é ferramenta de aquisição programada. Tratar como aplicação financeira costuma gerar frustração.
Do primeiro carro ao carro dos sonhos: a mesma lógica
O princípio não muda seja o objetivo um hatch de entrada ou um superesportivo. O que varia é o valor da carta e o prazo necessário para que a parcela caiba no orçamento sem apertar.
No Consórcio Comauto, os planos são desenhados para diferentes perfis: do jovem que quer sair do transporte público ao executivo que troca de carro a cada três anos usando a carta anterior como lance no novo grupo.
Essa rotação de cotas cria um ciclo virtuoso: o bem conquistado vira alavanca para o próximo. Dito fez isso mais de uma vez — e o 911 Carrera S foi apenas uma das etapas.
O que observar daqui para frente
Com a Selic em patamares elevados, o financiamento direto ficou mais caro e o consórcio ganha atratividade relativa. A tendência é que grupos de alto valor tenham maior procura, o que pode alongar o tempo médio até a contemplação por sorteio.
Para quem planeja entrar nos próximos meses, a dica prática é simular cenários com lances de 20%, 30% e 40% da carta. Isso revela o capital necessário para encurtar a espera e permite decidir se vale a pena aguardar ou antecipar.
O segredo que Dito não guarda a sete chaves: planejamento não é adivinhação. É colocar no papel o custo real do sonho e escolher o veículo — financeiro — que te leva até ele.
