Justiça

Ela esperou 22 anos para ocupar a cadeira mais estratégica da PM do Tocantins

Coronel Sueli Ferreira dos Santos Viseu, primeira mulher chefe do Estado-Maior da PM do Tocantins, em uniforme oficial
Coronel Sueli Viseu assume como primeira chefe do Estado-Maior da PMTO, marcando 22 anos de carreira

A coronel Sueli Ferreira dos Santos Viseu acaba de se tornar a primeira mulher a chefiar o Estado-Maior da Polícia Militar do Tocantins, o segundo posto mais alto da corporação. A nomeação, publicada no Diário Oficial em 3 de janeiro, não é apenas um marco simbólico: sinaliza uma aposta em gestão técnica e planejamento de longo prazo para a segurança pública estadual.

Com 22 anos de farda e um currículo que mescla comando operacional e alta academia, a oficial assume a função de traduzir a estratégia do comandante-geral em execução tática. Mas o que essa escolha revela sobre o momento atual da instituição?

O peso da caneta: o que faz um Chefe do Estado-Maior

Diferente do comando de tropa, o Estado-Maior é o “cérebro” operacional da corporação. Quem senta nessa cadeira responde diretamente pelo planejamento, logística, inteligência e coordenação de todos os batalhões.

Na prática, a coronel Sueli deixa de gerir uma unidade específica para orquestrar o funcionamento da máquina inteira. É uma posição que exige visão sistêmica — exatamente o perfil que ela construiu nas últimas duas décadas.

Currículo de gestão: do asfalto ao doutorado

A trajetória da nova chefe do Estado-Maior foge do lugar-comum. Natural de Miranorte, no centro do estado, ela não subiu degraus apenas por antiguidade. A oficial coleciona experiências que conectam a ponta da linha de frente à retaguarda estratégica:

  • Comando operacional: Liderou o Batalhão de Polícia Militar Rodoviário e Divisas, área sensível para o fluxo de drogas e armas.
  • Enfrentamento ao crime organizado: Participou ativamente da Operação Cangaçu, referência no combate a facções.
  • Gestão de imagem e território: Chefiou a assessoria de comunicação e foi subcomandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE) e da 1ª Região (CRP-1).
  • Base acadêmica robusta: Doutora em Gestão Estratégica e Ciências Policiais, Mestre em Planejamento Tático, além de graduações em Segurança Pública, Direito e Filosofia.

Essa combinação rara — doutorado em gestão preventiva e experiência em operações de alto risco — era o ativo que faltava para a cadeira de número dois.

O contexto da troca: sinais de renovação no comando

A nomeação não aconteceu no vácuo. Ela ocorre semanas após o governador anunciar mudanças no Comando-Geral da corporação. A escolha de uma oficial com perfil técnico-acadêmico para o posto-chave de planejamento sugere uma diretriz clara: profissionalizar a gestão interna e basear decisões em dados, não apenas em hierarquia.

Para o setor produtivo e investidores que monitoram a estabilidade institucional do Tocantins, o movimento indica amadurecimento na governança da segurança. Instituições previsíveis e bem geridas reduzem o custo Brasil local.

O efeito nos pequenos e médios negócios

Segurança pública eficiente impacta diretamente o ambiente de negócios. O planejamento estratégico que agora passa pelas mãos da coronel Sueli define onde viaturas estarão, como o policiamento ostensivo será distribuído e de que forma a inteligência atuará contra crimes patrimoniais — furto de cargas, roubo a estabelecimentos e invasões rurais.

Uma gestão de Estado-Maior baseada em evidências tende a otimizar recursos escassos, direcionando efetivo para onde o risco real é maior, e não apenas para onde a pressão política aponta.

O que observar daqui para frente: gestão baseada em evidências

O primeiro teste prático será a elaboração do planejamento operacional para 2025. Observadores do setor público devem ficar atentos a três indicadores:

  • Publicação de metas mensuráveis de redução de CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais) e crimes contra o patrimônio.
  • Integração efetiva entre o Estado-Maior e as secretarias de Administração Penitenciária e Justiça.
  • Implementação de indicadores de desempenho para comandantes de unidade, saindo da lógica puramente reativa.

A coronel Sueli declarou ter “plena consciência da grandeza da função”. O mercado e a sociedade agora aguardam a tradução dessa consciência em resultados estatísticos. O próximo relatório trimestral de segurança pública será o primeiro termômetro real dessa nova gestão.