Saúde

Goiás pede R$ 1 bi extra na Saúde: o buraco no orçamento que você precisa acompanhar

Secretário de Saúde de Goiás Rasível dos Reis em coletiva sobre déficit orçamentário de R$ 1 bilhão
Secretário Rasível dos Reis confirma rombo de quase R$ 1 bi no orçamento da Saúde para 2027

O Governo de Goiás confirmou que o orçamento da Saúde para 2027 nasce com um rombo de quase R$ 1 bilhão. A conta não fecha e a fatura pode cair no colo do contribuinte ou comprometer contratos hospitalares.

O secretário Rasível dos Reis admitiu à CBN Goiânia que a previsão inicial de R$ 4,93 bilhões para o Fundo Estadual de Saúde é insuficiente. A suplementação de R$ 919,3 milhões já está no radar, mas o caminho até o caixa é incerto.

O ciclo vicioso do déficit programado

Não é improvisação de última hora. Segundo o próprio secretário, a Lei Orçamentária Anual (LOA) entra deficitária “igual todos os anos foram”. A estratégia repetida é aprovar a base e, meses depois, pedir o restante via remanejamentos.

O mecanismo funciona assim: verbas de obras paradas ou projetos lentos são desviadas para pagar contratos de emergência, folha e manutenção de leitos. É uma engenharia financeira que mantém a máquina girando, mas impede planejamento de longo prazo.

O que está em jogo para a rede atendida

O montante bancaria a estrutura que atende a população inteira do estado:

  • Hospitais de referência e regionais;
  • Policlínicas especializadas;
  • Serviços de média e alta complexidade (cirurgias, internações, exames caros).

Sem a suplementação, o risco real é atraso em repasses a fornecedores e prefeituras, além de filas crescentes para procedimentos eletivos.

A conta que a União não pagou

Além do buraco estadual, Goiás tenta há meses encaixar R$ 500 milhões no teto MAC — o limite federal para custeio de média e alta complexidade. O pedido foi levado ao ministro Alexandre Padilha e ao Congresso, mas travou.

Sem o sinal verde de Brasília, o Tesouro estadual teve que cobrir a diferença sozinho. Isso drena recursos de outras pastas e reduz a margem de manobra para investimentos em infraestrutura ou tecnologia.

Judicialização e a espera por critérios claros

O estado recorreu ao STF questionando a ausência de regras transparentes na distribuição dos recursos federais. A Corte determinou a criação de critérios formais, mas não ordenou o pagamento retroativo nem a liberação extra pleiteada por Goiás.

Enquanto portarias não saem do Diário Oficial da União, o planejamento financeiro da SES fica refém de interpretações burocráticas. “A indefinição dificulta o planejamento”, resumiu o secretário.

O que observar nos próximos meses

A proposta orçamentária tramita na Assembleia Legislativa (Alego). O pedido formal de suplementação ainda depende da Secretaria da Economia. Dois movimentos merecem atenção de quem gere negócios na área da saúde ou depende de contratos públicos:

  • Remanejamentos internos: quais obras serão sacrificadas para liberar caixa imediato?
  • Portarias do Ministério da Saúde: a publicação de novos tetos MAC pode aliviar — ou não — a pressão sobre o caixa estadual.

Se o padrão histórico se repetir, o segundo semestre de 2027 trará novo pedido de crédito suplementar. Empresas credoras e gestores de unidades conveniadas devem monitorar o fluxo de empenhos a partir de julho para antecipar riscos de inadimplência temporária.