O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que levará propostas concretas de ajuste fiscal ao presidente Lula no dia 15 de novembro, logo após o retorno da viagem à COP31 na Turquia e às Filipinas. A dívida bruta já consome 82,9% do PIB e o Copom travou a Selic em 13,75%. O que será apresentado nesse encontro pode ditar o ritmo da economia no próximo mandato.
O diagnóstico que uniu Haddad, Mantega e o mercado
Na quinta-feira (5), uma reunião no Palácio da Alvorada reuniu a nata da equipe econômica — passado e presente. Estavam lá Fernando Haddad, Guido Mantega, Aloizio Mercadante e a economista Laura Carvalho, além dos ministros atuais Miriam Belchior, Bruno Moretti e Esther Dweck.
Segundo Durigan, houve “convergência total” no diagnóstico: juros altos, cenário externo adverso e trajetória da dívida são os principais inimigos. Não houve, porém, definição de medidas. “Não há fórmula mágica, mas manutenção dos compromissos fiscais”, resumiu o ministro.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado mas não compareceu. Estava no período de silêncio do Copom, logo após a decisão de manter a taxa básica.
Por que a data de 15 de novembro é decisiva
Lula volta ao Brasil no dia 15. Durigan e Moretti (Planejamento) usarão as duas semanas de ausência presidencial para transformar o diagnóstico em propostas escritas. A meta declarada é conciliar superávits primários nos próximos anos com a manutenção dos programas sociais que marcam a plataforma do quarto mandato, iniciado em janeiro de 2027.
O ministro prometeu transparência no processo e afirmou que continuará “na escuta” com setores produtivos e sociedade civil enquanto o presidente estiver fora.
A conta que assusta: dívida a R$ 11,1 trilhões
O senso de urgência não é retórico. Dados do Banco Central mostram a deterioração rápida das contas públicas:
- Setembro/2026: Dívida bruta em 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões).
- Dezembro/2022: Dívida em 71,7% do PIB (antes do 3º mandato).
O salto de 11,2 pontos percentuais em menos de quatro anos pressiona o custo da rolagem e reduz o espaço para investimentos. Esse é o pano de fundo que obriga o governo a apresentar resultados — não apenas promessas — já no início de 2027.
Selic parada e o sinal do Copom
No dia anterior à reunião no Alvorada, o Comitê de Política Monetária interrompeu o ciclo de cortes e manteve a Selic em 13,75% ao ano. Foram cinco reduções consecutivas até o freio de arrumação.
O recado do BC é claro: sem ancoragem fiscal crível, não há espaço para juros mais baixos. Durigan reconhece a ligação direta: “Dar condições para a queda dos juros” depende do pacote que ele está montando.
Pronúncio de domingo: retórica ou sinal?
Lula fala em cadeia nacional neste domingo (8). Interlocutores indicam que o tom será de compromisso com a responsabilidade fiscal e defesa dos programas sociais. Não espere anúncio de medidas — a estratégia é preparar o terreno para o dia 15.
Novos encontros com empresários e mercado financeiro estão previstos para as semanas seguintes. A ideia é testar a receptividade antes de bater o martelo.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão se o plano tem dentes ou se vira mais uma “carta de intenções”:
- Detalhamento das fontes de receita (fim de benefícios tributários? nova taxação?);
- Regra de transição para o novo arcabouço valer já em 2027;
- Reação do Congresso — sem base parlamentar sólida, qualquer ajuste nasce fragilizado.
Para o investidor e o empresário, o sinal de curto prazo está na curva de juros futuros. Se os DIs longos cederem nas próximas sessões, o mercado estará comprando a credibilidade do pacote. Se não, prepare-se para mais volatilidade e custo de capital elevado por um bom tempo.
