Economia

O segredo por trás do boom que lotou 13 quadras e atraiu 300 atletas

Complexo Jurema Águas Quentes com 13 quadras de beach tennis lotadas durante campeonato
Campeonato de beach tennis no Jurema Águas Quentes reúne 300 atletas em 13 quadras.

O complexo Jurema Águas Quentes consolidou uma infraestrutura de 13 quadras de beach tennis e um campeonato próprio que saltou de 80 para 300 competidores em sete edições. O movimento revela como o esporte de areia deixou de ser apenas lazer para virar motor de ocupação hoteleira. A dinâmica por trás desse crescimento envolve números que todo gestor de turismo deveria acompanhar.

A infraestrutura que sustenta a ocupação

São dez quadras no Jardins de Jurema Convention & Termas Resort e três no Lagos de Jurema Termas Resort. A capacidade instalada permite rodadas simultâneas, aulas para iniciantes e torneios oficiais sem fechar o espaço para hóspedes comuns. Em períodos de alta temporada, a taxa de uso das quadras passa de 80% já nas primeiras horas da manhã.

O investimento em piso de areia certificada, iluminação LED e arquibancadas móveis transformou o ativo em produto vendível o ano todo. Não há ociosidade no inverno: a procura por clínicas e “camps” de fim de semana mantém a agenda cheia entre dezembro e março.

Jurema Open: o case de escalada de evento amador

A sétima edição do torneio projetou 300 atletas inscritos, contra 80 na estreia. O crescimento médio anual beira 25%, puxado pela abertura de categorias infantil, feminina e mista. Competidores vêm de Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, gerando pernoite médio de 2,3 noites por participante.

A organização cobra inscrição, mas o lucro real está no pacote “atleta + acompanhantes”. Cada competidor traz, em média, 1,8 pessoas que consomem hospedagem, gastronomia e spa. O ticket médio do grupo supera R$ 2.500 no fim de semana do evento.

Além da quadra: a economia da experiência

O campeonato não para nas partidas. A programação paralela virou linha de receita independente:

  • Lounge premium com open bar e DJ — ingresso à parte.
  • Espaço de recuperação com fisioterapia e massagem esportiva cobrados por sessão.
  • Shows noturnos e jantares temáticos com venda de mesas exclusivas.
  • Piscinas termais e day-use para não hóspedes no entorno do complexo.

Esses anexos respondem por cerca de 35% do faturamento bruto do fim de semana do Open, segundo estimativas internas de mercado.

Perfil do público e barreira de entrada baixa

A modalidade aceita duplas de níveis distintos, o que amplia o funil de captação. Iniciantes alugam raquete e bola no local por menos de R$ 50 a hora. Crianças a partir de seis anos entram na categoria kids com bola de baixa pressão e quadra reduzida. Essa acessibilidade explica por que 40% dos inscritos na última edição eram estreantes em torneios.

O público majoritário tem entre 30 e 55 anos, classe A/B, poder de decisão sobre roteiros de férias da família. É o perfil que resorts de alto padrão disputam a peso de ouro.

O que observar daqui para frente

A próxima variável é a profissionalização da gestão de quadras fora de eventos. O complexo testa um aplicativo de reserva dinâmica com precificação por demanda — horários nobres custam 40% mais. Se a taxa de conversão se mantiver, o modelo pode ser replicado em outros ativos de lazer do grupo. Outro ponto: a federação estadual já sinaliza interesse em sediar etapa do circuito profissional em 2025, o que injetaria patrocínio e transmissão ao vivo na equação.

Para quem monitora turismo de experiência, a lição é clara: infraestrutura ociosa vira receita quando ganha calendário, categorias e ecossistema de serviços anexos. O beach tennis em Jurema deixou de ser amenidade para virar produto escalável.