O Banco Central e a Zetta — associação que reúne Nubank, Mercado Pago, PicPay e Neon — fecharam parceria para criar o SIA, plataforma que vai levar 100% para o ambiente digital os pedidos de autorização de instituições financeiras. A entrega final está marcada para junho de 2028. Mas o que isso muda, na prática, para quem quer abrir ou regularizar um negócio no setor?
Como funciona hoje e por que isso travava o mercado
Atualmente, o processo mistura etapas manuais, troca de e-mails e documentos físicos espalhados em diferentes setores do BC. Isso gera retrabalho, erros de preenchimento e prazos imprevisíveis. Para uma fintech em fase de escala, cada mês de espera representa capital parado e oportunidade perdida.
O novo Sistema Integrado de Autorizações (SIA) promete eliminar essa fragmentação. A validação prévia de dados ocorre no momento do envio, sinalizando inconsistências antes que o processo caia na fila de análise. O fluxo de trabalho passa a ser único, rastreável e auditável.
O que muda para quem pede a autorização
A divisão de responsabilidades fica clara: a Zetta responde pelo desenvolvimento tecnológico da plataforma; o BC mantém o poder de análise e decisão. Nada de terceirização de julgamento regulatório.
Para o empreendedor, os ganhos diretos são:
- Previsibilidade: status do pedido em tempo real, sem “caixa preta”.
- Menor custo operacional: menos advogados e consultores dedicados a organizar papéis.
- Entrada mais rápida: redução do tempo entre protocolo e resposta final.
Por que a Zetta assumiu o desenvolvimento
A associação já atuava em frentes técnicas com o BC desde 2024, quando firmou acordo de cooperação que rendeu estudos sobre Open Finance e Pix. A escolha não é aleatória: as associadas da Zetta vivem na ponta a dor da burocracia e conhecem os gargalos de usabilidade que o regulador, sozinho, demoraria mais para mapear.
Mas a construção não é exclusiva. O Departamento de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (Deorf) conduz o projeto internamente, garantindo que a arquitetura atenda às exigências de segurança, rastreabilidade e conformidade do próprio BC.
O cronograma realista e os marcos a observar
Junho de 2028 é a data-alvo para conclusão total. Até lá, o sistema será entregue em módulos. A expectativa é que a primeira versão — focada em pedidos de nova autorização — entre em piloto antes do prazo final. Processos de alteração de controle, extensão de atividade e cancelamento virão em ondas posteriores.
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor: a padronização de dados abre caminho para que, no futuro, o próprio BC cruze informações de autorização com indicadores de risco, saúde financeira e compliance em tempo real.
O que observar daqui para frente
Fique atento às chamadas públicas para testes de usabilidade — o BC costuma abrir sandboxes para participantes do mercado validarem telas e fluxos antes do lançamento oficial. Quem participa antecipa adaptações internas e ganha voz na definição de campos obrigatórios. Além disso, monitore se a redução do prazo médio de análise se confirma nos relatórios de gestão do Deorf; esse será o termômetro real de sucesso do SIA.
