Economia

Comida sobe 1,35% em outubro: o detalhe no fim do mês que muda tudo

Gráfico de inflação de alimentos no Brasil mostra alta de 1,35% em outubro com seta descendente na última semana
Inflação dos alimentos acelera em outubro, mas última quadrissemana sinaliza alívio para novembro.

A inflação dos alimentos acelerou para 1,35% em outubro, mais que triplicando o ritmo de setembro (0,44%). Mas, escondido na última leitura semanal, há um sinal de alívio que pode alterar a projeção para novembro.

Os dados são da Fipe, que mede a quadrissemana — a média móvel de quatro semanas. A surpresa está na comparação interna: a pressão na última quadrissemana foi menor que na anterior.

O freio de mão puxado na reta final

Na terceira quadrissemana de outubro, a variação bateu 1,38%. Na quarta e última, a força arrefeceu. Esse movimento sugere que o pico de pressão pode ter ficado para trás, embora o acumulado do mês assuste.

Para o empresário do varejo ou da indústria, isso muda a conversa sobre repasse de custos e formação de estoques para o fim de ano.

Carne bovina: o motor da alta

A proteína animal carregou o índice nas costas. O corte bovino subiu 3,8% apenas no mês passado e já acumula 13% de alta em 2024 na capital paulista.

No campo, a arroba do boi gordo firma-se em R$ 390, patamar que sustenta os preços nas gôndolas. O cenário de oferta restrita continua ditando as regras.

Grãos e óleos dão trégua bem-vinda

Itens que vinham em escalada contínua perderam fôlego na reta final de outubro:

  • Óleo de soja: chegou a 4,70% na 2ª quadrissemana; fechou o mês em 1,59%.
  • Arroz: parou de subir no varejo com a estabilidade no campo, mas carrega 6% em 30 dias.

Essa desaceleração reflete a entrada de safra e a estabilidade das cotações nas praças produtoras.

Chuva castiga hortifrúti e eleva “in natura”

Os produtos in natura saltaram 5% no mês. Tomate e cebola lideram as altas, vítimas de dificuldades de colheita e logística causadas pelo excesso de chuvas.

Esse componente costuma ser volátil, mas pressiona a cesta básica de forma imediata, sem passar pela indústria.

O termômetro do campo na primeira semana de novembro

Os primeiros dias deste mês mostram estabilidade nas principais commodities de referência:

  • Arroz (RS): saca a R$ 82.
  • Soja (PR): saca a R$ 152.
  • Café arábica (MG): saca a R$ 1.600.
  • Boi gordo: arroba estável em R$ 390.

Se confirmada a manutenção desses patamares, a pressão de custos ao produtor não deve se intensificar no curto prazo.

El Niño e exportações: os vetores externos

Parte da alta já precifica o El Niño, que deve ganhar força até o primeiro semestre de 2025, ameaçando safras no Cone Sul.

Do lado da demanda, o fluxo externo segue robusto. A Anec registra embarques de 6 milhões de toneladas de soja em outubro (previsão de 3,3 mi para novembro) e 5,6 mi de toneladas de milho no mês passado (6 mi esperados para este mês). O câmbio e a competitividade externa mantêm o escoamento aquecido.

O que observar daqui para frente

A combinação de carne pressionada pela oferta curta, grãos estáveis no campo e clima adverso no hortifrúti desenha um cenário misto. O alívio na margem observado no fim de outubro só se consolidará em novembro se o clima cooperar na colheita da soja e na logística de vegetais. Acompanhe as cotações da arroba e o volume de chuvas no Sudeste: são as variáveis que ditarão o próximo IPCA-15.