Economia

O segredo por trás da “fritura” de Fonteles e a corrida secreta pela Fazenda…

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Governador Rafael Fonteles perde força na disputa pelo Ministério da Fazenda

O governador do Piauí, Rafael Fonteles, despencou nas apostas para comandar o Ministério da Fazenda após uma operação silenciosa de aliados para derrubar seu nome. O presidente Lula já sinalizou reservas internas, e o tabuleiro da sucessão de Dario Durigan ganhou contornos imprevisíveis.

O que parecia uma transição natural virou um jogo de xadrez onde cada movimento expõe fragilidades políticas — e o mercado financeiro observa cada lance.

Por que Fonteles virou “indemissível” aos olhos do Planalto

A principal objecção não é técnica, mas estrutural. Para assumir a Fazenda, Fonteles precisaria renunciar ao mandato de governador reeleito. Na avaliação de colaboradores diretos de Lula, isso transformaria o ministro em uma peça intocável: demiti-lo seria um custo político alto demais, equivalente a criar um “primeiro-ministro” na pasta mais sensível da Esplanada.

Some-se a isso o fato de nunca ter sido testado na articulação federal em Brasília. O argumento circula reservadamente entre ministros palacianos e ganhou força nas últimas semanas.

Outro ponto sensível: vazou a informação de que Fonteles estaria se reunindo com agentes do mercado financeiro. A leitura interna foi dura — ele teria “se sentado na cadeira antes da hora”. O governador nega os encontros e afirma não ter discutido cargos ou política econômica com Lula.

O mesmo dilema atinge o vice-presidente

Geraldo Alckmin enfrenta idêntico obstáculo. Como vice, sua substituição em caso de discordância seria traumática. Um auxiliar presidencial resumiu: “O problema é o cargo de vice, não o Alckmin”.

Paradoxalmente, o fogo amigo contra Fonteles fez o nome do vice-presidente subir nas bolsas de apostas. A expectativa, se escolhido, é que Alckmin monte uma equipe de economistas de peso para blindar a gestão técnica.

Lula tem repetido a colaboradores que a escolha exige “muita cautela”. Alckmin, procurado, não comenta.

Outros nomes na mesa: Camilo, Haddad e o fator Durigan

As resistências a Fonteles reabriram espaço para alternativas:

  • Camilo Santana (PT-CE): cotado para Fazenda, Segurança, Educação ou Casa Civil;
  • Fernando Haddad: fora da bolsa para a Fazenda, mas forte para a Casa Civil caso Camilo não ocupe a pasta;
  • Dario Durigan: atual ministro, tenta se firmar sob pressão por medidas que fechem o Orçamento de 2027.

Durigan ganhou uma credencial temporária de Lula ao desmentir o boato de que o presidente receberia André Lara Resende para discutir juros. Recebeu apoio público do presidente do PT, Edinho Silva, que afirmou: só Durigan fala em nome do governo sobre política econômica.

O bombeiro que virou alvo da própria tropa

Após o feriado, Durigan criticou a proposta de Lara Resende apontando “deficiências” e reforçou o discurso de ajuste fiscal. A postura agradou o mercado — mas irritou alas do PT. Para defensores da proposta, Durigan, advogado de formação, não teria legitimidade técnica para avaliar o mérito econômico.

O detalhe revelador: toda vez que Durigan se posiciona pelo ajuste, sua cotação no mercado sobe. Isso cria uma dinâmica perigosa — o ministro interino ganha força externa enquanto perde respaldo interno.

O relógio do Orçamento não para

Enquanto a especulação sobre nomes consome energia, técnicos da área econômica alertam: o prazo real é a votação da LDO e do Orçamento de 2027 ainda este ano. Se não houver definição de medidas a tempo, o projeto só será analisado em 2025 — por um Congresso mais hostil após o avanço da oposição nas urnas.

O risco não é apenas político. É aritmético. Sem ajuste aprovado, a execução orçamentária do próximo ano começa travada.

O que observar daqui para frente

Três sinais dirão para onde o vento sopra: (1) se Lula antecipa o anúncio para blindar a transição; (2) se Durigan apresenta pacote fiscal concreto nas próximas semanas; (3) se Camilo Santana é deslocado para a Casa Civil, liberando Haddad ou abrindo vaga na Fazenda.

O nome do ministro importa. Mas o que define a trajetória fiscal é a capacidade de entregar votos no Congresso antes do recesso. O resto é ruído.