Justiça

Receita Federal apreende R$ 1,5 mi em mochilas falsas vindas da China; veja o esquema

A Receita Federal interceptou 24 mil unidades de material escolar falsificado avaliadas em R$ 1,5 milhão no porto de Salvador. A carga, originária da China, usava uma tática simples para driblar a fiscalização: capas genéricas escondiam estampas de marcas registradas. A operação segue até 13 de novembro em todo o país.

O flagrante ocorreu nesta quarta-feira (4) no Centro Logístico e Industrial Aduaneiro (CLIA) Empório, na Cidade Baixa. Agentes identificaram o contêiner suspeito durante procedimento de rotina e, ao abri-lo, confirmaram a fraude em larga escala.

O que estava no contêiner

A carga totalizava 24 mil peças divididas em três categorias. A distribuição revela foco no kit completo de volta às aulas:

  • 9.600 mochilas
  • 7.200 lancheiras
  • 7.200 estojos

Todos os itens apresentavam o mesmo padrão de ocultação: a face externa trazia desenhos genéricos — formas geométricas, cores lisas, estampas sem identificação de marca. Por trás dessa camada, coladas ou costuradas no forro interno, estavam as imagens protegidas por direitos autorais.

Como o esquema funcionava na prática

A técnica permite que a mercadoria passe despercebida em inspeções visuais rápidas. O fiscal vê um produto “sem marca” e libera. Só ao manusear ou abrir o item a contrafação fica evidente. Isso reduz o risco de detecção no embarque na China e na chegada ao Brasil.

O container tinha Salvador como destino final. Não há, até o momento, informação sobre os importadores ou destinatários da carga. A Receita Federal informou que o material seguirá para os trâmites legais cabíveis, que incluem perícia, destruição ou doação após descaracterização — desde que não haja risco à saúde.

Operação nacional em andamento

A ação integra a Operação Fronteira, deflagrada na terça-feira (3) com prazo até 13 de novembro. O foco é reforçar o controle aduaneiro em portos, aeroportos e postos de fronteira de todo o território nacional.

Na Bahia, além da apreensão no CLIA, uma segunda frente atuou no Aeroporto Internacional de Salvador. Nenhuma irregularidade foi constatada nas cargas e bagagens inspecionadas no terminal aéreo.

O impacto que vai além da apreensão

Produtos escolares falsificados chegam ao varejo informal e a marketplaces a preços até 40% menores que os originais. Para o comerciante legalizado, a concorrência desleal reduz margens e pode inviabilizar o estoque de volta às aulas — período que responde por até 30% do faturamento anual do setor.

Há ainda o risco ao consumidor. Materiais sem certificação do Inmetro podem conter substâncias tóxicas em tintas, zíperes e revestimentos, além de falhas estruturais que comprometem a durabilidade e a segurança das crianças.

O que observar nas próximas semanas

A Receita Federal costuma divulgar balanços parciais semanais durante operações de grande porte. Acompanhar esses números indica se a rota China–Salvador está sendo usada como corredor preferencial para contrafação de bens de consumo sazonal. Para lojistas e importadores regulares, a recomendação técnica é exigir certificação de origem e nota fiscal eletrônica completa de todo fornecedor — a ausência desses documentos é o principal indicador de risco na cadeia de suprimentos.