Uma queda de energia na zona rural de Uberaba obrigou um avicultor a transformar maçaricos em sistema de emergência para manter 400 pintinhos vivos. O improviso funcionou — ninguém morreu — mas expõe uma fragilidade recorrente que custa caro ao agronegócio local.
O episódio aconteceu na noite de segunda-feira (2), quando um eucalipto derrubado pela chuva cortou o fornecimento na comunidade de São Basílio. Sem climatização, a temperatura despencou. O produtor Pedro Henrique de Oliveira tinha uma janela curta: pintinhos nos primeiros dias de vida exigem 37 °C constantes.
O custo da improvisação
Oliveira buscou o lote em Uberlândia no mesmo dia. Ao chegar, a tempestade já havia derrubado a rede. Gerador? Não havia tempo. Ele usou o único maçarico e botijão que tinha, correu atrás de outro gás na mercearia da vizinhança — a dona abriu o comércio de madrugada para ajudar.
O balanço financeiro é direto: a perda estimada, caso a temperatura caísse, girava entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. O custo real foi uma noite em claro vigiando chamas sobre piso de serragem, material altamente inflamável.
- 400 pintinhos dependiam de aquecimento contínuo
- 37 °C é a temperatura-alvo nos primeiros dias
- R$ 2–3 mil de prejuízo evitado
- 12h45 de terça (3): energia restabelecida pela Cemig
O aviso que veio em junho
Não foi a primeira vez. Cinco meses antes, oscilações na rede queimaram duas lâmpadas secadoras num domingo à noite. Resultado: 200 pintinhos mortos. O prejuízo só não foi maior porque a granja fornecedora repôs as aves — um alívio que não se repete sempre.
O padrão é claro: a infraestrutura elétrica da região não acompanha a sensibilidade da produção avícola moderna. Cada hora sem energia é risco direto de mortalidade.
O que muda daqui para frente
Oliveira já decidiu: vai comprar gerador autônomo. A decisão reflete uma conta que outros produtores da região também começam a fazer — estabelecimentos do ramo alimentício relatam prejuízos semelhantes.
Do lado da concessionária, a Cemig confirma que a queda do eucalipto foi a causa e orienta: danos a equipamentos provocados pela tempestade podem ser solicitados via canais de ressarcimento. O processo existe, mas exige documentação e tempo — luxos que a madrugada fria não concede.
O que observar nos próximos meses
A aquisição de geradores deixa de ser “investimento futuro” e vira custo operacional obrigatório para quem cria aves em áreas com rede instável. Produtores que adiarem a decisão correm o risco de depender, novamente, da solidariedade de uma mercearia aberta de madrugada e de uma noite inteira vigiando maçaricos sobre serragem seca. A conta, no fim, sempre chega — seja no equipamento, seja no lote perdido.
