A 45ª Expoferr abriu as portas nesta terça-feira (3) com a meta audaciosa de movimentar quase R$ 1 bilhão em cinco dias. O governo de Roraima injetou R$ 10 milhões no evento, que espera 900 mil visitantes no Parque Dandãezinho. Mas o número que realmente chama a atenção está no pátio dos expositores.
Arthur Maquino, gerente da Bamaq, não esconde a ambição: a meta é zerar o estoque de máquinas pesadas antes do encerramento no sábado. “O investimento a gente faz pensando no médio e longo prazo também, que é uma vitrine para a gente”, resume. A confiança não é gratuita — a edição anterior já havia provado que o fluxo de compradores qualificados supera a média de feiras regionais.
O efeito nos pequenos e médios negócios
Não são apenas os grandes players que ganham. Silvio de Carvalho, presidente da Faerr, explica que o dinheiro circula por toda a cadeia: implementos agrícolas, melhorias em propriedades, contratação de mão de obra temporária e serviços de hospedagem e alimentação.
Essa diversificação é o que torna o evento resiliente. Mesmo se o volume de máquinas grandes esfriar, o varejo agropecuário e os prestadores de serviço local mantêm a roda girando. Para o empresário que atende o produtor rural, a feira funciona como um termômetro de demanda para o semestre seguinte.
Por que a região Norte virou prioridade nacional
A parceria entre o Grupo Rede Amazônica e a CNA sinaliza uma mudança estrutural. Alex Caxias, vice-presidente do grupo, admite que o objetivo é “dar voz ao homem do campo” em cinco estados. Joel Cristian Gomes, diretor executivo, reforça: as plataformas do grupo (g1, CBN, TV) vão levar a cobertura para além das fronteiras estaduais.
Na prática, isso significa mais visibilidade para negócios fechados em Boa Vista. Um contrato assinado na feira ganha repercussão nacional imediata, atraindo financiadores e parceiros que antes não olhavam para o Norte com a mesma atenção.
O que os números revelam sobre 2026
- R$ 10 milhões em recursos estaduais investidos na infraestrutura
- 300 empresas expositoras disputando a atenção do público
- 900 mil visitantes esperados — quase 5x a população de Boa Vista
- 5 noites de shows nacionais (Felipe Araújo, César Menotti e Fabiano, Iguinho e Lulinha)
A programação cultural não é acessório: mantém o público no parque após o horário comercial, estendendo a janela de negociação para além das 18h. Shows na Praça de Alimentação começam às 19h; atrações nacionais no Palco Principal entram às 22h.
O que observar daqui pra frente
O termômetro real será o volume de financiamentos aprovados nas instituições parceiras durante a semana. Se as linhas de crédito para máquinas e implementos travarem, o otimismo de Maquino esbarra na realidade do custo de capital. Acompanhe também a adesão dos produtores às novas tecnologias de agricultura de precisão expostas nos estandes — elas ditam o ritmo de modernização das lavouras roraimenses nos próximos 12 meses.
