Economia

Reforma tributária: 20 entidades pedem adiamento da CBS para 2028 — entenda o risco para seu negócio

Entidades tributárias entregam carta pedindo adiamento da CBS para 2028 em Brasília
Mais de 20 entidades de Direito Tributário protocolam pedido de adiamento da CBS para 2028 alegando prazo insuficiente para adaptação das empresas.

Mais de 20 das principais entidades de Direito Tributário do país protocolaram carta aberta pedindo o adiamento da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) para 2028. O motivo: o calendário atual deixa as empresas com menos de três semanas para se adaptar após a definição da alíquota pelo Senado. O que está em jogo não é apenas burocracia — é a viabilidade operacional do seu negócio a partir de janeiro.

O gatilho: alíquota definida em dezembro, vigência em janeiro

O Senado tem até 15 de dezembro para fixar o percentual da CBS. Se o prazo for aproveitado até o limite, os contribuintes terão apenas 17 dias corridos para recalcular custos, renegociar contratos, atualizar sistemas de emissão de nota fiscal e revisar estratégias de precificação antes de 1º de janeiro. Para setores com cadeias longas ou contratos de longo prazo, o prazo é tecnicamente inexequível.

Quatro falhas que travam a preparação

A carta lista obstáculos concretos que vão além do calendário apertado:

  • Alíquota indefinida: impossibilita projeção de carga tributária efetiva por setor.
  • Sistema de apuração assistida inoperante: a ferramenta que cruzará dados de operações para calcular CBS e IBS ainda não roda em produção.
  • ERPs e automações desatualizados: fornecedores de software dependem de regras finais e APIs estáveis para entregar atualizações.
  • Vácuo processual: não há estrutura definida para resolver conflitos entre CBS (federal) e IBS (estadual/municipal) sobre uma mesma operação.

O ano de teste que não testou

2026 foi desenhado como ano-piloto. Na prática, serviu para expor atrasos do próprio poder público na entrega de regulamentos, manuais técnicos e ambientes de homologação. “O ano de testes de 2026 não cumpriu sua finalidade, sobretudo pelos atrasos do próprio poder público”, resume Gustavo Brigagão, presidente do CESA. A proposta das entidades é transformar 2027 em um sandbox real: sistemas ligados, alíquotas conhecidas, contratos ajustados — sem penalidades.

O risco invisível: 0,1% de IBS em 2027 já gera litígio

Embora a transição do IBS comece devagar — 0,1% em 2029, segundo o texto original, a carta aponta que a incidência efetiva ocorre já em 2027 —, a coexistência de dois tributos com bases semelhantes, mas competências judiciais distintas (federal vs. estadual/municipal), cria cenário de decisões contraditórias para um mesmo fato gerador. Advogados alertam: a insegurança jurídica pode custar mais caro que o próprio tributo.

O que as entidades pedem — e o que não pedem

O pedido não é revogar a reforma. As 25 signatárias — entre elas OAB-DF, IAB, CESA, ABDF e institutos estaduais de direito tributário — declararam apoio aos princípios de simplificação, transparência e neutralidade. O que exigem são condições técnicas para que esses princípios saiam do papel:

  • Adiar vigência efetiva da CBS para 1º de janeiro de 2028.
  • Usar 2027 para testes obrigatórios, sem autuação.
  • Garantir funcionamento pleno da apuração assistida antes da largada.
  • Criar mecanismo de harmonização de conflitos IBS/CBS.

O que observar daqui para frente

O Congresso pode acatar o pedido via projeto de lei ou emenda à regulamentação pendente. Acompanhe a tramitação no Senado nas próximas duas semanas: se a alíquota for votada após 10 de dezembro, o caos operacional em janeiro vira probabilidade alta. Enquanto isso, antecipe mapeamento de contratos de longo prazo, converse com seu fornecedor de ERP sobre cronograma de atualização e avalie provisionamento para contingências fiscais. A reforma virá — a dúvida é se sua empresa entrará nela preparada ou corrigindo erros sob multa.