A 45ª Expoferr abriu as portas nesta terça-feira (3) com a meta audaciosa de movimentar R$ 1 bilhão em negócios até sábado. São 300 expositores disputando a atenção de 900 mil visitantes esperados no Parque Dandãezinho, em Boa Vista. Mas o que leva um empresário de máquinas pesadas a arriscar o estoque inteiro em apenas cinco dias de feira?
Os números que justificam o investimento
O governo de Roraima injetou R$ 10 milhões na estrutura do evento. O retorno projetado, no entanto, escala para a casa dos bilhões, pulverizado em setores que vão muito além da porteira. Para o executivo que olha de fora, a equação é simples: fluxo qualificado concentrado em janela de tempo curta.
- Visitantes estimados: 900 mil em 5 dias
- Expositores: cerca de 300 empresas
- Meta de negócios: R$ 1 bilhão
- Investimento público: R$ 10 milhões
A lógica do ‘estoque zero’: o caso das máquinas pesadas
Arthur Maquino, gerente da Bamaq, não esconde a meta: vender tudo o que está no pátio. A confiança vem do histórico — no ano passado, a procura foi “bem considerável” e o resultado superou as expectativas. Ele define a feira como uma “vitrine de médio e longo prazo”.
Na prática, o custo de levar o equipamento para o parque é calculado não apenas pela venda imediata, mas pelo lead qualificado que só o olho no olho com o produtor rural gera. O fechamento do financiamento costuma acontecer semanas depois, mas o gatilho é puxado ali.
Além do ferro: onde o dinheiro realmente circula
Silvio de Carvalho, presidente da Faerr, amplia a lente. O volume de R$ 1 bilhão não fica restrito a tratores e colheitadeiras. Ele irriga implementos agrícolas, benfeitorias nas propriedades, insumos e serviços financeiros. “É um dinheiro que circula, gera emprego e renda”, resume.
Essa capilaridade é o que interessa ao investidor atento: a feira funciona como termômetro da liquidez do agronegócio regional. Se o produtor assina o cheque para a máquina, ele sinaliza confiança na safra vindoura e capacidade de endividamento saudável.
A voz do Norte e a estratégia de longo prazo
Não é só comércio. A parceria entre o Grupo Rede Amazônica e a CNA coloca holofotes sobre a região Norte. Alex Caxias, vice-presidente do grupo, destaca a missão de “dar voz ao homem do campo”. Joel Cristian Gomes, diretor executivo, reforça que plataformas como g1, CBN e TV estendem o alcance da feira muito além das cercas do parque.
Para quem investe em marca ou relações institucionais, a visibilidade midiática em rede nacional baixa o custo de aquisição de cliente (CAC) no decorrer do ano. A feira vira conteúdo perene.
Programação: o motor que traz o público comprador
O entretenimento não é acessório; é estratégia de tráfego. Shows nacionais (Felipe Araújo, César Menotti e Fabiano, Iguinho e Lulinha) e provas técnicas (três tambores, laço, vaquejada, rodeio) garantem que o parque esteja cheio do público-alvo: o decisor da propriedade rural.
- Quarta (4): Brasas do Forró (Palco Principal)
- Quinta (5): Felipe Araújo + Nayadi Raissa
- Sexta (6): Augusto e Atílio + Iguinho e Lulinha
- Sábado (7): Samir Rico + César Menotti e Fabiano
O que observar quando a poeira baixar
O termômetro real da Expoferr 2026 será medido nas próximas semanas: volume de contratos de financiamento efetivados (BNDES, bancos privados, cooperativas), pedidos de máquinas com entrega programada para a próxima safra e movimento nas revendas de insumos na região do Monte Cristo. Se a “vitrine” cumpre o prometido, o reflexo aparece no balanço do terceiro trimestre do varejo agro local. Fique atento aos relatórios de crédito rural do Banco Central para confirmar se a euforia da feira virou lastro financeiro.
