O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência dos Campos Gerais começou a testar um sistema que identifica automaticamente o endereço e a posição no mapa de quem liga para o 192. A ferramenta funciona para fixo, celular e VoIP, atualizando a localização em tempo real se a pessoa estiver em movimento.
Por que isso muda tudo? Porque segundos economizados na triagem significam vidas salvas — e o Paraná acaba de se tornar o laboratório dessa transformação.
Como a tecnologia funciona na prática
Quando uma chamada entra na central, o atendente recebe instantaneamente dois dados: o endereço formatado e a coordenada geográfica plotada no mapa. Não há necessidade de perguntar “onde o senhor está?” nem de depender da clareza de quem pede socorro sob estresse.
A autorização partiu da Anatel, que habilitou as operadoras a compartilharem esses metadados de localização com o consórcio intermunicipal. O CIMSAMU é o primeiro SAMU do estado a operar com essa capacidade.
Os testes iniciaram em outubro e não têm prazo definido para terminar. A fase serve para validar a integração com a rotina operacional e medir ganhos reais de tempo-resposta.
O impacto direto nos 28 municípios atendidos
A cobertura abrange quase 1 milhão de habitantes distribuídos por cidades que vão de Ponta Grossa (sede) a pequenos municípios como Ventania e Imbaú. Veja a lista completa:
- Arapoti, Carambeí, Castro, Curiúva
- Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbaú, Imbituva
- Inácio Martins, Ipiranga, Irati, Ivaí
- Jaguariaíva, Mallet, Ortigueira, Palmeira
- Piraí do Sul, Ponta Grossa, Porto Amazonas, Rebouças
- Reserva, Rio Azul, São João do Triunfo, Sengés
- Teixeira Soares, Telêmaco Borba, Tibagi, Ventania
Em áreas rurais ou rodovias onde endereços formais não existem, a coordenada GPS torna-se a única referência viável para direcionar ambulâncias.
Ganhos mensuráveis e o que vem a seguir
Segundo a diretora-geral do CIMSAMU, Emanuelle de Matos Schuck, a tecnologia “qualifica os recursos disponíveis” ao eliminar a etapa de coleta de endereço. A operadora SMB Gestão em Saúde classifica o avanço como “importante para qualificar o atendimento”.
Não há data para expansão a outras regiões do Paraná. O consórcio prioriza a avaliação de estabilidade, taxa de acerto da geolocalização e integração com o sistema de despacho de viaturas.
O que observar nos próximos meses
Três indicadores dirão se o modelo vira padrão estadual: redução média no tempo de triagem, percentual de chamadas com localização precisa (especialmente em VoIP e zonas de sombra de sinal) e taxa de acionamento correto de viaturas sem necessidade de contato de volta. Gestores de saúde de outros consórcios já monitoram os relatórios técnicos — a decisão de replicar dependerá de dados, não de promessas.
