A virada de controle no Congresso dos EUA nas eleições de meio de mandato de 2026 acendeu um alerta sobre a permanência do senador Flávio Bolsonaro em solo americano. Pesquisas recentes, como a da Reuters/Ipsos, mostram reprovação de 66% ao governo Trump, alimentando a chance de maioria democrata. Mas o poder de expulsar o parlamentar não está nas mãos dos legisladores.
O Executivo decide, o Legislativo pressiona
Especialistas em direito migratório e relações internacionais são taxativos: deportação é ato administrativo. A competência pertence ao Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e ao Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos subordinados à Casa Branca. O Congresso não tem jurisdição para ordenar a saída de um estrangeiro.
Isso não significa, porém, que o Parlamento fique de mãos atadas. Com a maioria, deputados e senadores ganham ferramentas de fiscalização capazes de criar constrangimento político direto sobre o governo Trump.
Três frentes de investigação possíveis
Caso os democratas assumam o controle da Câmara — basta a maioria simples na Casa Baixa, sem necessidade de vencer no Senado —, três eixos de apuração tendem a ser priorizados:
- Concessão de vistos: se houve tratamento diferenciado na emissão ou renovação de documentos para o senador e familiares.
- Autorização de entrada: eventuais interferências para facilitar o desembarque em Miami.
- Manutenção do status: se há base legal para a permanência prolongada fora das hipóteses previstas na legislação migratória.
A convocação de Marco Rubio
O movimento mais concreto seria chamar o Secretário de Estado para depor sob juramento. A oitiva forçaria a administração a explicar, publicamente, os critérios usados no caso. Para o Planalto americano, o custo político de proteger um parlamentar estrangeiro investigado no Brasil pode superar o benefício da aliança ideológica.
Por que a deportação não é prioridade democrata
Apesar da pressão de bases e de figuras como o comentarista Isaiah Martin, a agenda legislativa democrata para 2026 deve focar em economia doméstica, custo de vida e na contenção de ordens executivas de Trump. A preparação para a disputa presidencial de 2028 consome a maior parte do capital político. O “caso Bolsonaro” funciona como moeda de troca, não como bandeira principal.
Cenário atual: maioria frágil
Hoje, os republicanos mantêm vantagem mínima: 218 cadeiras contra 214 na Câmara e 53 senadores. A virada exige ganho líquido de poucas disputas competitivas. Historicamente, o partido do presidente perde assentos no midterm, o que torna o cenário de mudança de controle estatisticamente provável.
O que observar nos próximos meses
O termômetro real não será a retórica de campanha, mas a composição das comissões da Câmara em janeiro de 2027. Se a Comissão de Relações Exteriores ou a de Segurança Interna abrirem inquérito formal com poder de intimação, a permanência de Flávio Bolsonaro nos EUA entrará em zona de risco calculável. Até lá, a estratégia do senador depende inteiramente da discrição do governo Trump.
