Economia

Tarifaço: Brasil espera proposta dos EUA esta semana; veja setores que entram na mira

Ministros do Brasil e EUA apertam as mãos com bandeiras ao fundo, simbolizando negociações tarifárias
Brasil aguarda proposta tarifária dos EUA esta semana; setores sensíveis entram na mira das negociações.

O governo brasileiro aguarda para os próximos dias o documento que pode ditar o rumo da disputa comercial com Washington. O ministro Márcio Elias Rosa confirmou que a proposta americana — um “termo de referência” com setores alvo para redução tarifária — deve desembarcar em Brasília entre esta semana e o início da próxima.

A expectativa encerra um ciclo de quatro semanas iniciado em reunião de alto nível nos Estados Unidos, no fim de setembro. Mas o recebimento do papel é apenas o primeiro lance: a resposta brasileira definirá quais concessões o país está disposto a fazer.

Como funciona a engenharia da negociação

Não há improviso no rito. Segundo o ministro, a dinâmica segue o manual clássico de comércio exterior: uma parte apresenta a lista de interesses ofensivos, a outra contra-ataca com sua pauta defensiva e ofensiva.

  • EUA indicam: setores onde querem tarifa zero ou redução drástica.
  • Brasil responde: aceita, rejeita ou condiciona — e apresenta sua própria lista de demandas.

Até o momento, não houve vazamento sobre o mérito da proposta americana. O que se sabe é que a equipe de Washington está finalizando o texto, mantendo canais informais abertos mesmo sob ruído político.

Eleições americanas não alteram cronograma

Questionado se as midterms poderiam travar ou acelerar o processo, Elias Rosa foi taxativo: “Não muda absolutamente nada”. A orientação do Planalto é manter a mesa técnica funcionando independentemente do calendário eleitoral dos EUA.

Essa blindagem técnica é vista como essencial para evitar que a volatilidade política americana contamine um processo que já carrega forte carga simbólica para ambos os lados.

A origem do impasse: dois tarifaços, uma mesma raiz

Para entender o que está em jogo, é preciso revisar as duas frentes de sobretaxa impostas pela Casa Branca:

  • 25% — retaliação baseada na alegação de práticas desleais envolvendo PIX, etanol e propriedade intelectual.
  • 12,5% — punição coletiva a dezenas de países, incluindo o Brasil, por suposta falha no combate a importações originárias de trabalho forçado.

Diplomatas brasileiros classificam as medidas como de caráter político, não técnico. A argumentação: os EUA teriam desconsiderado dados concretos apresentados nas rodadas anteriores.

O relógio da OMC e o fator China

Paralelamente, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio pedindo consultas — etapa prévia a um painel de disputa. O prazo de 60 dias para solução consensual começou a correr após encontro em Genebra, em setembro, entre representantes de Lula e Trump.

Se o acordo bilateral não sair nesse janela, qualquer parte pode levar o caso a julgamento. Um detalhe geopolítico relevante: a China pediu para ingressar no processo como terceira interessada; os EUA se opuseram frontalmente.

O que observar daqui para frente

A chegada do termo de referência americano é o gatilho para três movimentos simultâneos: a análise setorial profunda pelo MDIC e Camex, a formulação da contraproposta brasileira e a contagem regressiva do relógio da OMC. Empresas expostas aos setores sensíveis — agroindústria, tecnologia, manufatura de média complexidade — devem mapear cenários de tarifas mantidas, reduzidas ou eliminadas. O próximo comunicado oficial, provavelmente ainda esta semana, ditará o ritmo das próximas rodadas.