Economia

Itaú lucra R$ 12,6 bi: o segredo está na carteira imobiliária…

Sede do Itaú Unibanco em São Paulo, símbolo do lucro de R$ 12,6 bi no 3º trimestre
Itaú lucra R$ 12,6 bi no 3º tri impulsionado por carteira imobiliária de baixo risco.

O Itaú Unibanco fechou o terceiro trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 12,617 bilhões, praticamente em linha com as projeções do mercado. O número impressiona, mas a verdadeira leitura do resultado está na composição da carteira que o sustentou.

O avanço de 6,2% em um ano esconde uma estratégia deliberada de baixo risco que pode ditar o ritmo dos concorrentes nos próximos meses.

O motor por trás do crescimento: garantias em foco

A carteira de crédito total atingiu R$ 1,544 trilhão, expansão de 10,9% em doze meses. O detalhe decisivo, porém, é a concentração: o crescimento veio quase todo de linhas com garantia real.

Crédito imobiliário e consignado puxaram a fila, acompanhados de perto por programas governamentais para pequenas e médias empresas. Em resumo, o banco cresceu emprestando onde a inadimplência historicamente é menor.

  • Imobiliário e consignado: pilares da expansão de 2,2% no trimestre.
  • Linhas governamentais para PMEs: vetor secundário, mas relevante para volume.
  • Crédito livre de maior risco: perdeu espaço na originação.

Inadimplência e custo do crédito: o equilíbrio frágil

A aposta na segurança teve seu preço. O índice de atrasos acima de 90 dias subiu para 2,0%, alta de 0,1 ponto percentual nas duas comparações. Parece pouco, mas marca a terceira alta seguida.

O custo do crédito ficou em R$ 10,4 bilhões, mantendo a razão sobre a carteira estável em 2,7% anualizado. A estabilidade é uma vitória de gestão, mas deixa margem zero para deterioração macroeconômica.

O que pesou contra: banco de investimento e ROE

Nem tudo fluiu a favor. A receita de banco de investimento recuou, penalizada pela menor emissão de títulos de renda fixa. O efeito direto apareceu no retorno sobre o patrimônio (ROE): caiu de 24,3% para 23,6% em três meses.

Na ponta do lápis, o lucro subiu, mas a rentabilidade do capital empregado encolheu. Para o investidor, a pergunta que fica é: até quando a margem financeira com clientes — que cresceu 2,6% no período — compensa a pressão no ROE?

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o próximo capítulo. Primeiro, o ciclo de juros: a manutenção da taxa Selic em patamar restritivo testa a qualidade do consignado e imobiliário a médio prazo. Segundo, a concorrência no crédito garantido, onde bancos públicos e fintechs avançam agressivamente em pricing. Terceiro, a recuperação do banco de investimento, dependente de uma janela de mercado mais favorável para emissões.

Se a inadimplência furar os 2,2% sem que o custo do crédito suba proporcionalmente, a narrativa de “qualidade da carteira” será colocada à prova. O trimestre foi sólido, mas a defensiva está montada.