O custo para dormir em Brasília durante a posse presidencial de 5 de janeiro atingiu patamares que beiram o inacreditável. Levantamento da TV Globo revela aumentos de até 23,5 vezes em relação a datas próximas, e o Ministério Público já foi acionado para investigar.
Enquanto a virada do ano cobra caro pela tradição, o início de janeiro reserva uma conta muito mais salgada para quem quer acompanhar a cerimônia de perto.
O abismo entre uma semana e outra
Um mesmo hotel no Setor Hoteleiro Norte exemplifica a distorção. Entre 31 de dezembro e 2 de janeiro — período já inflacionado pelo réveillon —, a diária sai por R$ 1.100. Nos dias 4 a 6 de janeiro, o valor salta para R$ 5.223. Aumento de 375% em questão de dias.
Outro estabelecimento leva a disparada ao extremo: R$ 664 no réveillon contra R$ 7.180 no período da posse. A diferença supera os R$ 6.500 por noite.
O caso que expõe a escala do problema
A equipe do deputado distrital Fábio Félix (PSOL) analisou 360 imóveis anunciados em plataformas de locação. O achado mais chocante: uma propriedade listada a R$ 532 na semana seguinte à posse custava R$ 12.516 nos dias do evento.
- Valor na posse: R$ 12.516
- Valor na semana seguinte: R$ 532
- Variação: 2.252% de aumento
Não se trata de alta sazonal comum. A magnitude sugere prática coordenada de elevação de preços acima de qualquer parâmetro de oferta e demanda razoável.
Cancelamentos repentinos deixam turistas na mão
Quem conseguiu reservar antes da escalada enfrenta outro transtorno: cancelamentos unilaterais por parte de anfitriões e hotéis. A estratégia parece clara — liberar a unidade para relistar ao preço inflado da posse.
Consumidores relatam ter recebido comunicações de “indisponibilidade súbita” semanas após a confirmação da reserva, justo quando os novos valores entram em vigor nas plataformas.
Ação no Ministério Público e no Procon
Félix, agora eleito deputado federal, protocolou representação no MPDFT e reclamação formal no Procon-DF. O argumento central: a alta procura por um evento democrático de relevância nacional não pode servir de escudo para cobranças abusivas.
“Brasília vai receber pessoas de todo o país para um momento importante da nossa democracia. Não podemos permitir que elas sejam prejudicadas por preços injustificáveis”, declarou o parlamentar.
O que observar daqui para frente
O inquérito do Ministério Público deve solicitar dados das plataformas de hospedagem e dos próprios hotéis para verificar se há padrão concertado de reajuste. Enquanto isso, quem planeja ir à posse tem duas frentes de ação: registrar reclamação no Procon local e guardar prints de anúncios com preços discrepantes — eles podem servir de prova em eventuais ações de reparação.
A cerimônia ocorre em 5 de janeiro. A janela para decisões judiciais cautelares é curta, mas a pressão regulatória tende a aumentar nas próximas semanas.
