Carolina Ferraz apresentou à Record uma proposta de programa focado em agronegócio para a grade de 2027. Batizado de Agro 3.0, o projeto mira as manhãs de domingo e depende, agora, do aval do mercado publicitário para sair do papel.
A apresentadora está fora da emissora desde abril, quando deixou o comando do Domingo Espetacular após seis anos. A saída ocorreu em meio a uma guinada editorial da casa, que passou a priorizar reportagens investigativas em detrimento do perfil de magazine que Ferraz conduzia.
O projeto “Agro 3.0” e a disputa pelo domingo
A proposta central destaca a transformação tecnológica do campo brasileiro. Temas como agricultura de precisão, sustentabilidade e inovação genética devem nortear a linha editorial, fugindo do formato tradicional de cotações e leilões.
A escolha do horário não é aleatória. As manhãs de domingo consolidaram-se como faixa nobre para o segmento agro na TV aberta, entregando audiência qualificada e alta aderência comercial. Caso aprovada, a atração entrará num tabuleiro já ocupado por concorrentes diretos, exigindo diferencial claro de conteúdo.
Culinária como plano B autoral
Além do agro, Ferraz protocolou um segundo projeto: um programa de culinária. A apresentadora carrega bagagem no formato desde os tempos de GNT, o que reduz o risco de execução aos olhos da direção da Record.
Essa movimentação sinaliza uma estratégia de portfólio: oferecer dois produtos distintos — um de nicho empresarial, outro de lifestyle — aumenta as chances de ocupação de grade e atrai diferentes perfis de anunciantes.
O gargalo comercial: quem paga a conta?
Nenhum dos projetos avança para pré-produção sem dois sinalizadores verdes:
- Aprovação definitiva da direção de programação da Record;
- Fechamento de cotas de patrocínio que viabilizem a produção.
No caso do agro, o ticket médio de patrocínio costuma ser elevado, pois atrai gigantes de insumos, maquinário e commodities. A viabilidade financeira, portanto, depende menos da audiência bruta e mais da qualidade do público entregue ao anunciante.
Por que a saída do “Domingo Espetacular” era inevitável
A reforma no matinal dominical da Record não foi pontual. A emissora vem reestruturando seu jornalismo para um viés mais duro e investigativo, formato que exige perfil de âncora distinto do que Ferraz vinha exercendo — mais próximo do entretenimento e da revista eletrônica clássica.
Nos meses anteriores à saída, a apresentadora já via seu espaço reduzido nas decisões de pauta e na condução de blocos. A entrega de projetos autorais funciona, agora, como tentativa de realinhar expectativas: ela propõe formatos onde detém controle criativo, saindo da condição de funcionária de linha para a de parceira de conteúdo.
O que observar daqui para frente
O desfecho dessa negociação serve de termômetro para duas tendências do mercado: a força do agronegócio como motor de grade na TV aberta e a disposição das emissoras em ceder espaço para formatos “author-driven” em detrimento de produções totalmente internas.
Se o Agro 3.0 emplacar, a Record ganha um ativo para brigar por verbas de um setor que não para de crescer. Para o mercado publicitário, resta monitorar a capacidade de entrega de um formato que promete inovação, mas que ainda não tem piloto aprovado nem data de estreia confirmada.
