Economia

Binance perde US$ 3,6 bi em saques após maior roubo cripto da história

Logo da Binance com setas vermelhas descendentes representando saques massivos de US$ 3,6 bi após hack histórico
Binance registra saída líquida de US$ 3,64 bi em 10 horas após maior roubo cripto da história atribuído à Coreia do Norte

A Binance viu US$ 3,64 bilhões deixarem sua plataforma em menos de dez horas no domingo — o primeiro teste real de confiança depois do maior ataque hacker já registrado no setor. O FBI aponta a Coreia do Norte como responsável pelo roubo de US$ 6,3 bilhões. O mercado não entrou em pânico, mas a cicatriz fica.

O volume líquido retirado representa 2,1% dos ativos totais sob custódia. Analistas consideram o percentual baixo, mas o sinal é claro: investidores institucionais vão repensar alocações.

O que aconteceu nas 9 horas e meia de domingo

A corretora reabriu saques parciais após o ataque de quinta-feira. Entre depósitos e retiradas, o saldo líquido foi negativo em US$ 3,64 bilhões. No total, saíram US$ 4,6 bilhões e entraram US$ 1 bilhão.

A co-CEO Yi He declarou no X que a prioridade é “garantir que o ambiente esteja seguro” antes de normalizar operações. A Binance afirma ter reunido US$ 6 bilhões entre caixa próprio, fundo de seguro e reserva de segurança para cobrir o prejuízo.

O bitcoin caiu ao menor nível em seis semanas na sexta-feira, mas recuperou acima de US$ 78 mil na segunda. O ether seguiu trajetória similar.

Por que não houve corrida bancária

Tim Sun, do HashKey Group, resume: “não provocou pânico generalizado nem retirada maciça”. Dois fatores explicam a relativa calma.

  • Liquidez residual: a Binance processa em média US$ 95 bilhões por dia em volume — a saída de domingo equivale a menos de 4% do fluxo diário habitual.
  • Memória da FTX: investidores como Ryan Tan, 39 anos, já mantinham saldos baixos em corretoras desde o colapso de 2022. “Decidi manter tudo na minha carteira”, disse à Reuters.

Jay Koh, da Asia Web3 AI Association, admite que corretoras centralizadas seguem essenciais para liquidez e acesso a mercado. Ele não pretende sacar tudo.

O impacto invisível: dinheiro saindo do ecossistema

O valor total de mercado das stablecoins — ativos atrelados ao dólar — caiu desde sexta-feira. O movimento sugere que parte dos investidores não está apenas trocando de corretora: está saindo do cripto para dinheiro ou ativos tradicionais.

Essa migração silenciosa pode ser mais danosa que saques pontuais. Grandes instituições, que ainda avaliavam entrada no setor, ganharam mais um argumento para ficar de fora.

Restrições persistem e a confiança segue em teste

Na segunda-feira, a Binance liberou saques de bitcoin na rede nativa, ether e algumas stablecoins na Ethereum. A maioria dos demais ativos segue com retiradas bloqueadas.

A empresa afirma que “volumes de saídas diminuíram e estão se estabilizando”. Mas o episódio reforça uma realidade: custódia centralizada continua sendo o elo mais frágil da infraestrutura cripto.

O que observar nas próximas semanas

Três indicadores dirão se o abalo foi passageiro ou estrutural:

  • Fluxo líquido de stablecoins — se continuar caindo, há saída real de capital do ecossistema.
  • Volume de negociação institucional — queda sustentada sinaliza receio de grandes players.
  • Novos padrões de auditoria e prova de reservas — pressão regulatória e de mercado deve acelerar adoção.

O roubo de US$ 6,3 bilhões não quebrou a Binance. Mas pode ter alterado permanentemente a forma como capital sério enxerga risco de contraparte no ativo digital.