Cultura

Aos 96 anos, ela prova que nunca é tarde: o segredo que ninguém conta

Ema Vargas, 96 anos, segurando seu livro "Eu venho oferecer meu coração" na Feira do Livro de Porto Alegre
Aos 96 anos, Ema Vargas lança seu primeiro livro com poemas guardados a vida toda

Uma professora aposentada de 96 anos acaba de lançar seu primeiro livro na Feira do Livro de Porto Alegre. O detalhe que muda tudo: a obra reúne mais de cem poemas escritos à mão ao longo de uma vida inteira, guardados em cadernos que ninguém sabia que existiam.

Ema Vargas não apenas publicou “Eu venho oferecer meu coração”. Ela desafia, com cada verso, a ideia de que existe prazo de validade para sonhos.

O que uma vida inteira de escrita à mão revela

Os poemas não foram compostos nos últimos meses. Eles nasceram em cadernos de memórias, acumulados década após década, como quem planta sementes sem saber se verá a colheita. A autora traduz na escrita uma filosofia simples: o tempo não limita, ensina.

Em um dos versos, ela escreve: “Tempo, vou fazerte um pedido. Desejo que sejas sincero comigo. Pois o que eu quero é algo sério”. Em outro: “A partilha do carinho é algo muito eficaz. Acaba com os espinhos que a trilha da vida traz”.

São reflexões sobre a passagem dos anos e as relações humanas, destiladas por quem viveu o suficiente para reconhecer padrões que a pressa esconde.

Por que a idade virou apenas um número

Para Ema, os rótulos geracionais devem ser deixados de lado. “Essa história de dizer: não, eu sou muito velha, ou eu sou muito jovem. Não, não, não. A idade não tem nada a ver”, afirma a escritora.

Ela conta que encontra pessoas que se consideram “velhas” e “destruídas” muito antes do tempo. Sua resposta é prática: procura dar força e mostrar que cada pessoa tem condições de enfrentar a vida de forma positiva, independentemente da data no RG.

A vitalidade que vai além das páginas

A energia da autora não se resume à escrita. Nas horas vagas, Ema pratica tango. A dança mantém o corpo em movimento e a mente afiada — um detalhe que a filha, a psicóloga Maria Alice Vargas, celebra: “Eu fico muito feliz que ela, aos 96 anos de idade, ainda tenha toda essa força vital. Isso pra gente é algo de muita felicidade”.

  • 96 anos — idade no lançamento do primeiro livro
  • Mais de 100 poemas — reunidos na obra “Eu venho oferecer meu coração”
  • Escrita à mão — em cadernos de memórias ao longo da vida
  • Tango — prática regular nas horas vagas

O que vem depois da estreia

Questionada se deseja seguir escrevendo, a resposta foi direta: “Sim, se Deus quiser”. Não há planos de aposentadoria para quem acabou de estrear.

O lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre marca o fim de um ciclo de espera e o início de outro: o de leitores descobrindo versos que esperaram décadas para sair do papel.

O que observar daqui pra frente

A história de Ema Vargas levanta uma questão prática para qualquer profissional ou empreendedor: quantos projetos, ideias ou habilidades ficam guardados “para depois” sob a justificativa de que o momento passou? O caso demonstra que execução tardia ainda é execução — e pode gerar impacto real. O próximo passo é acompanhar a recepção do livro e, quem sabe, os próximos volumes que a autora já sinalizou querer produzir.