O Termas dos Laranjais, terceiro parque aquático mais visitado do planeta, inaugura em dezembro um complexo de R$ 61 milhões com torre de 33 metros. A aposta é simples: criar motivos irresistíveis para que dois milhões de visitantes anuais voltem — e tragam mais gente.
Mas o investimento vai muito além de um toboágua radical. Ele sinaliza uma disputa silenciosa pela liderança do entretenimento familiar na América Latina.
O que tem dentro do Complexo Nações
A estrutura divide-se em duas descidas coletivas — cada boia leva até seis pessoas — batizadas de “Brasil” e “Itália”, homenagem ao fundador Benito Benatti. Juntas, somam oito experiências distintas em percursos que misturam propulsão a jato, giros de 360 graus e quedas livres.
Na trilha Brasil, o destaque é a Anaconda: primeiro toboágua de maior diâmetro do mundo instalado no Brasil, e o segundo do gênero no planeta — o outro está em Dubai. O percurso combina Master Blaster (propulsão a jato com trechos de subida), Orbiter (movimento ascendente circular) e a própria Anaconda.
Já a descida Itália aposta em variedade sensorial: Galaxy Bowl, dois Tailspins e duas Mega Drops em sequência única. O parque não divulga velocidades máximas nem tempo oficial de cada trajeto.
- Investimento: R$ 61 milhões
- Altura da torre: 33 metros
- Capacidade por boia: 6 pessoas
- Experiências totais: 8 (divididas em 2 percursos)
- Desenvolvimento: ~4 anos
- Testes iniciados: agosto (equipes da Índia, Austrália, Canadá e Inglaterra)
Por que isso mexe com o mercado regional
O parque recebe cerca de 2 milhões de pessoas por ano e comporta até 20 mil visitantes diários. O crescimento de 5,4% no fluxo em 2025 — segundo a Themed Entertainment Association (TEA) — já o colocava como o mais visitado das Américas. A meta com o novo complexo é adicionar mais 5% sobre esse volume.
Para o presidente Jorge Noronha, a renovação constante é a única forma de defender a posição no ranking global. “Continuar criando motivos para o visitante voltar é fundamental para permanecer entre os mais visitados do mundo”, afirmou.
A expansão não para no Nações
Enquanto o Complexo Nações entra em operação, outras frentes avançam em paralelo. Uma versão infantil da Montanha-Russa Aquática está em construção no espaço Play Kids. O parque também adquiriu 1 milhão de metros quadrados adjacentes — área que deve receber uma roda-gigante de 85 metros com 36 cabines tematizadas, projetada para operar também no período noturno, após o fechamento do parque aquático.
Há ainda estudos para um hotel próprio, sem cronograma definido. A estratégia é clara: transformar o destino em um resort integrado, estendendo a permanência média do turista e a receita per capita.
O que observar daqui para frente
O Termas dos Laranjais nasceu em 1987 a partir de fontes termais naturais e hoje opera 365 dias por ano em 300 mil metros quadrados com mais de 60 atrações. Foi o primeiro parque aquático brasileiro a aderir ao Pacto Global e aos ODS da ONU.
Os próximos trimestres dirão se a combinação de nova âncora radical + expansão imobiliária + operação noturna consegue sustentar o ritmo de crescimento acima de 5% ao ano. Para investidores e operadores do setor, o caso Olímpia virou referência de como reinventar um ativo maduro sem perder a identidade de destino familiar.
