Quatro estudantes do Instituto Amae, em Matozinhos (MG), transformaram sucata em ciência de ponta e garantiram o 7º lugar nacional na 1ª Olimpíada STEAM Ciência e Fé. O projeto G26 — um avião modelo inspirado no voo do gaviãozinho, ave também conhecida como papa-lagartixa — levou a equipe à final que acontece em novembro de 2026, em São José dos Campos.
Da sala de aula para a engenharia reversa da natureza
João Manoel Barbosa, Lucas Abner Silva, Lucas Matheus Andrade e Mateus Felipe Lages não apenas desenharam a aeronave: eles aplicaram biomimetismo, disciplina que estuda padrões biológicos para resolver problemas tecnológicos. A estrutura foi montada com materiais recicláveis, e o protótipo inclui um circuito funcional em protoboard para testes de conexões eletrônicas.
O conceito central é simples, mas poderoso: a natureza já resolveu desafios de aerodinâmica, eficiência energética e estabilidade há milhões de anos. O gaviãozinho, com seu voo pairado e precisão no ataque, serviu de modelo para asas e centro de gravidade do G26.
O que está em jogo na final de novembro
A etapa decisiva reunirá mais de 40 equipes de escolas de todo o Brasil nos dias 28 de novembro de 2026, no interior paulista. A competição, organizada pela ID BIRD EDUCATION, avalia não só o protótipo final, mas o processo investigativo, a documentação científica e a capacidade de apresentar soluções viáveis.
Para a diretora Ede Oliveira, a classificação já é um marco para o município: “Os alunos superaram barreiras técnicas e de recursos. Levar o nome de Matozinhos a uma olimpíada nacional de STEAM mostra que educação pública de qualidade gera inovação real”.
Por que o biomimetismo virou aposta educacional
- Baixo custo, alto aprendizado: materiais reciclados reduzem barreiras financeiras.
- Multidisciplinaridade obrigatória: biologia, física, programação e design caminham juntos.
- Portfólio tangível: estudantes saem com protótipo funcional, não apenas notas.
Escolas que adotam essa abordagem relatam aumento no engajamento em disciplinas STEM e melhor preparação para editais de iniciação científica júnior.
O que observar até a grande final
A equipe terá seis meses para refinar o G26: otimizar a relação peso-sustentação, validar o circuito eletrônico em condições reais de voo e preparar a defesa técnica perante avaliadores de universidades e institutos de pesquisa. Acompanhar a evolução do protótipo — e como a escola gere mentorias e parcerias — será um termômetro do ecossistema de inovação no interior de Minas.
Se o histórico servir de guia, projetos nascidos em olimpíadas STEAM frequentemente migram para feiras internacionais (como Febrace e Mostratec) e atraem bolsas de iniciação científica ainda no ensino médio. O voo do gaviãozinho, replicado em papelão e fios, pode ser apenas a decolagem.
