Economia

Gás de cozinha dispara 17,5% na Bahia: botijão sobe até R$ 15 neste domingo

Botijão de gás de 13 kg com etiqueta de preço alta, simbolizando aumento de 17,5% na Bahia
Preço do botijão de 13 kg sobe até R$ 15 na Bahia após reajuste de 17,5% da Acelen

O botijão de gás de 13 kg vai custar até R$ 15 a mais nas revendedoras baianas a partir deste domingo (1º). A Acelen aplicou reajuste de 17,5% no GLP vendido às distribuidoras na Refinaria de Mataripe, o maior salto desde que a empresa assumiu a operação em dezembro de 2021. O impacto chega direto no bolso do consumidor já na próxima compra.

O que muda no preço final

O valor da tonelada do GLP subiu de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90 nas portarias da refinaria. Na prática, o repasse às distribuidoras e revendedores eleva o botijão residencial em uma faixa entre R$ 12 e R$ 15, segundo Robério Souza, presidente do Sinrevgas. Para famílias que já sentem o peso do supermercado, a diferença representa mais um aperto no orçamento mensal.

O reajuste atinge toda a cadeia simultaneamente: distribuidoras, transportadores e pontos de venda. Não há margem para absorção parcial — o custo adicional será repassado integralmente ao consumidor final nos próximos dias.

Sétimo movimento do ano quebra padrão de volatilidade

Este é o sétimo reajuste registrado em 2024. O histórico revela uma montanha-russa que, até agora, alternava altas e baixas com amplitude menor:

  • Janeiro: +2,38%
  • Fevereiro: -4,19%
  • Março: estabilidade
  • Abril: +15,2%
  • Maio: +4,3% (absorvido pelos revendedores)
  • Junho: +9,59%
  • Julho: -6,8%
  • Agosto: -7,1%
  • Outubro: +9%
  • Novembro: +17,5% (atual)

O aumento atual supera todas as variações anteriores do ano, inclusive o pico de abril. A sequência de duas reduções consecutivas no meio do ano criou uma base mais baixa, o que amplifica o efeito percentual do novo reajuste.

Por que a Acelen mexeu no preço agora

A empresa atribui a política de preços a critérios de mercado: cotação internacional do petróleo, variação cambial e custos de frete. Em nota, a Acelen reforçou que os valores podem oscilar para cima ou para baixo conforme essas variáveis. O real desvalorizado frente ao dólar nas últimas semanas e a alta do barril no exterior formam o cenário macroeconômico por trás da decisão.

Diferente de ajustes anteriores, a magnitude de 17,5% sugere que a combinação de câmbio e commodity pressionou a margem da refinaria além do habitual. O mercado acompanha se haverá novo movimento nas próximas semanas ou se este patamar se estabiliza.

Efeito cascata no comércio e na renda familiar

Restaurantes, padarias e pequenos comércios que dependem do GLP para operação direta sentem o impacto duplo: custo de insumo maior e dificuldade de repasse imediato ao cardápio. Em bairros periféricos, onde o botijão ainda é a principal fonte de cocção, o aumento de R$ 15 equivale a quase 10% do valor do benefício do Bolsa Família.

Revendedores relatam que consumidores já buscam alternativas: troca por fogão a indução, uso de lenha em áreas rurais ou redução da frequência de cozimento. A elasticidade da demanda, porém, permanece baixa — gás de cozinha é item de primeira necessidade.

O que observar nas próximas semanas

Três variáveis definirão a trajetória do preço até o fim do ano: a cotação do Brent, o dólar comercial e a política de paridade da Acelen. Se o câmbio permanecer acima de R$ 5,70 e o petróleo acima de US$ 75, novos reajustes ascendentes tornam-se prováveis. Por outro lado, qualquer alívio externo pode abrir espaço para redução ainda em dezembro.

Para o planejamento financeiro, vale monitorar os comunicados da refinaria às sextas-feiras — dia padrão para anúncios de vigência no domingo. Comerciantes devem avaliar estoque de segurança e negociar prazos com distribuidoras para suavizar o caixa no curto prazo.