A Binance confirmou ter recomposto 90% dos ativos desviados no maior ataque hacker já registrado no mercado cripto, totalizando US$ 6,3 bilhões. A troca representa um marco inédito de velocidade e capacidade financeira, mas os saques continuam travados. O que falta para a normalidade total?
O tamanho do golpe e a resposta imediata
O incidente superou em quatro vezes o recorde anterior, o hack de US$ 1,5 bilhão da Bybit em 2024. Analistas atribuem a autoria a grupos ligados à Coreia do Norte, especializados em lavagem de ativos digitais em larga escala.
Em vídeo nas redes sociais, o co-CEO Richard Teng detalhou a operação de resgate: a exchange alocou US$ 6,34 bilhões do próprio caixa. Desse montante, US$ 5 bilhões já estão posicionados nos tokens exatos afetados — USDC, USDT, Bitcoin, Ethereum e BNB.
Por que 10% ainda estão pendentes?
A fatia restante corresponde a ativos de baixa liquidez. A Binance admite que recomprar essas quantidades específicas no mercado aberto demandará mais tempo para não distorcer preços. Não há prazo definido para essa etapa final.
O papel decisivo dos emissores de stablecoins
Cerca de metade do valor roubado foi congelada antes mesmo de sair do radar dos hackers. A ação coordenada envolveu três pilares:
- Tether (USDT): bloqueio imediato de endereços suspeitos.
- Circle (USDC): congelamento de fundos em contratos inteligentes.
- World Liberty Financial: projeto ligado à família Trump, atuou no rastreamento e bloqueio.
Essa colaboração reduziu drasticamente o prejuízo líquido e a pressão de venda sobre o mercado.
Como os invasores entraram no sistema
A investigação inicial aponta para a invasão do laptop de um engenheiro de DevOps. O equipamento comprometido serviu de ponte para acessar um “contêiner de serviço” e assinar transações de saque não autorizadas.
A empresa afirma ter identificado vetores de entrada adicionais após a análise forense inicial. Nenhum vazamento de chaves privadas de carteiras de usuários foi detectado até o momento.
Cronograma: quando os saques voltam?
A Binance estima restaurar as retiradas em aproximadamente 34 horas a partir do anúncio de sexta-feira. A projeção aponta para a madrugada de domingo (1º), por volta das 3h no horário de Brasília. Até lá, depósitos e negociações seguem operando normalmente.
O que observar daqui para frente
A reabertura dos saques será o teste de fogo para a confiança do mercado. Investidores devem monitorar três variáveis nas próximas 48 horas: o volume de retiradas efetivadas, a estabilidade do par BTC/USDT e eventuais movimentações on-chain dos 10% ainda não recuperados. A capacidade da exchange de honrar resgates massivos sem recorrer a liquidez externa definirá o próximo patamar de credibilidade do setor.
