A Usiminas fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 243 milhões, revertendo o prejuízo bilionário de 2023, mas o número veio abaixo do consenso de mercado. A siderúrgica já sinalizou que a receita por tonelada deve cair nos próximos três meses.
O Ebitda ajustado subiu 29% na comparação anual, atingindo R$ 558 milhões, porém frustrou a expectativa de R$ 659 milhões. O que explica essa discrepância entre a melhora anual e a decepção imediata?
Os números que o mercado não esperava
A receita líquida recuou 6% ano a ano, totalizando R$ 6,2 bilhões. Analistas projetavam R$ 6,27 bilhões. A diferença parece pequena, mas esconde uma deterioração importante na composição das vendas.
- Mercado interno: receita cresceu 1%, para R$ 5,32 bi.
- Mercado externo: tombo de 34%, para R$ 886 milhões.
- Volume de aço: queda de 6%, pouco acima de 1 milhão de toneladas.
- Minério de ferro: vendas caíram 20%, para 2 milhões de toneladas.
O desequilíbrio global da oferta de aço e a volatilidade cambial continuam pressionando as margens. A empresa admite que o cenário segue “desafiador”.
Por que o quarto trimestre preocupa mais
A Usiminas prevê aumento nas vendas externas de aço no 4º tri, mas alerta: o mix de vendas piora. Isso derruba a receita líquida por tonelada. Em paralelo, a siderurgia deve ter “redução moderada” nos resultados operacionais.
Do lado dos custos, a pressão não alivia. Matérias-primas, insumos e energia seguem caros. No minério, a combinação de preços internacionais baixos e fretes marítimos altos deve reduzir ainda mais os embarques.
Estratégia: eficiência enquanto a tempestade passa
A companhia destaca esforços de otimização de custos e despesas. A meta é estar pronta para retomar patamares de produção com maior eficiência quando preços e fretes normalizarem. No 3º tri, os investimentos (Capex) somaram R$ 285 milhões, alta de 7% na base anual.
Mas o recado final da gestão é claro: a normalização não é iminente.
O que observar nas próximas semanas
Três variáveis vão ditar o ritmo da ação (USIM5) no curto prazo: a trajetória do preço do minério de ferro na China, o custo do frete marítimo e a capacidade da indústria brasileira de absorver a produção sem derrubar preços internos. O guidance implícito é de cautela — quem busca entrada precisa monitorar se o piso de custos da Usiminas se sustenta abaixo da receita por tonelada projetada para o fechamento do ano.
