Internacional

O segredo da aliança Flávio-Trump: o que ninguém conta sobre 2026…

Flávio Bolsonaro e Donald Trump apertando as mãos na Casa Branca, simbolizando aliança política para 2026
Encontro único entre Flávio Bolsonaro e Trump na Casa Branca levanta dúvidas sobre apoio em 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou nos Estados Unidos em meio a uma escalada diplomática sem precedentes, mas a proximidade ideológica com Donald Trump não se traduz em apoio político automático. A relação oscila entre convergências estratégicas e silêncios calculados que podem definir o tabuleiro eleitoral de 2026.

Embora compartilhem bases eleitorais e retórica antiestablishment, os dois se encontraram pessoalmente apenas uma vez na Casa Branca. Trump, focado na própria sobrevivência legislativa nas midterms americanas, evitou endossar publicamente a candidatura brasileira, chegando a declarar: “não vou me envolver”.

O cálculo eleitoral por trás do silêncio

O republicano enfrenta a renovação da Câmara e de parte do Senado em novembro. Projeções indicam risco real de perda das duas Casas para os democratas. Nesse cenário, Trump adotou postura pragmática: “respeitarei, se forem eleições honestas”, sinalizando que evita atritos desnecessários com governos estrangeiros — inclusive o de Lula, que pediu neutralidade.

O resultado prático foi a ausência de declarações de apoio durante a campanha brasileira. Após o primeiro turno, Trump limitou-se a classificar o desempenho de Flávio como “apertado, mas impressionante”. A foto de um míssil inflável com a inscrição “Trump nuke Brazil” na Avenida Paulista expôs o desconforto: a base pedia intervenção que o líder americano não daria.

O encontro que mudou a geopolítica do crime organizado

Maio de 2024 marcou o ponto de inflexão. Flávio foi recebido no Salão Oval e apresentou uma pauta ousada: a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A reunião incluiu ainda tarifas comerciais, o processo contra Jair Bolsonaro e a exploração de minerais críticos.

Dias depois, o senador retornou para encontros com JD Vance (vice-presidente) e Marco Rubio (secretário de Estado). Temas: liberdade de expressão, segurança pública e comércio bilateral. Em junho, Washington oficializou a designação terrorista às duas facções.

Consequências imediatas da medida

  • Bloqueio de ativos vinculados às facções no sistema financeiro americano.
  • Proibição de transações com PCC e CV por entidades dos EUA.
  • Responsabilização criminal para quem prestar apoio material aos grupos.

O governo brasileiro contestou a decisão, alegando riscos à soberania. O promotor Lincoln Gakiya, referência no combate ao crime organizado desde 2005, alertou: “vai causar problemas” à cooperação jurídica. Flávio, contudo, defendeu a adesão ao Escudo das Américas, iniciativa hemisférica de segurança liderada pelos EUA.

Tarifas, Pix e a guerra comercial invisível

A lua de mel durou pouco. Em junho, horas após novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, Trump publicou foto com Flávio chamando-o de “jovem inteligente que ama o Brasil”. O senador enviou carta a Rubio pedindo suspensão das taxas até a posse — argumentando prejuízo à população e propondo acordo comercial futuro.

Aliados de Lula usaram o episódio para acusar os irmãos Bolsonaro de articular a pressão americana. Flávio negou, afirmando ter pedido diretamente a Trump a não imposição das tarifas.

Paralelamente, o Pix entrou na mira do USTR (Escritório do Representante Comercial). Representantes americanos viam o sistema como ameaça a Visa e Mastercard. Flávio reagiu com documento técnico: comprometeu-se a não internacionalizar o Pix, citou o FedNow como equivalente americano e classificou as acusações de “exageradas”.

Lei Magnitsky: a arma que cortou os dois lados

Em julho de 2025, Trump sancionou o ministro Alexandre de Moraes (STF) sob a Lei Magnitsky, acusando-o de censura e detenções arbitrárias. Flávio comemorou publicamente: “We want Magnitsky”. O governo Lula denunciou interferência na soberania.

Em dezembro do mesmo ano, contudo, Washington retirou Moraes da lista de sancionados. O recuo expõe a volatilidade da aliança: gestos simbólicos não garantem continuidade política quando interesses de Estado prevalecem.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão o peso real dessa relação em 2026: o desfecho das midterms americanas (que ditará a liberdade de ação de Trump), a capacidade do governo brasileiro de neutralizar os efeitos práticos da designação terrorista das facções — e, principalmente, se Flávio conseguirá transformar acesso protocolar em capital eleitoral tangível sem o endosso público do aliado americano. O histórico até aqui sugere que a porta da Casa Branca está aberta, mas o tapete vermelho, não.