Economia

O segredo do FGTS: R$ 144,5 bi travados na habitação até 2027…

Gráfico mostra orçamento FGTS habitação congelado em R$ 144,5 bi até 2027
Conselho Curador mantém verba habitacional do FGTS estagnada em R$ 144,5 bilhões para 2027.

O Conselho Curador do FGTS congelou em R$ 144,5 bilhões o orçamento para habitação em 2027, repetindo o valor deste ano. A decisão mantém a engrenagem do Minha Casa, Minha Vida girando, mas esconde uma mudança brusca no horizonte para a classe média.

O montante total aprovado para políticas públicas chega a R$ 169 bilhões. A dúvida que fica: de onde virá o fôlego para sustentar esse volume nos anos seguintes?

Como o dinheiro será dividido na prática

A fatia principal, R$ 125,5 bilhões, mira famílias de baixa renda. Para a classe média, o teto cai para R$ 15 bilhões dentro do programa habitacional. Há ainda R$ 4 bilhões reservados à linha pró-cotista, com juros reduzidos para quem tem conta vinculada, e R$ 13 bilhões em subsídios diretos.

atenção: esses valores não são somáveis de forma linear. Subsídios e pró-cotista costumam se sobrepor aos financiamentos principais, o que mascara o volume real de novo crédito injetado no mercado.

  • Baixa renda (financiamento): R$ 125,5 bi
  • Classe média (MCMV): R$ 15 bi
  • Subsídios baixa renda: R$ 13 bi
  • Linha pró-cotista: R$ 4 bi

O choque previsto para 2028

O orçamento plurianual aprovado junto com a peça de 2027 revela a virada de chave. A partir do ano que vem, os recursos para a classe média no Minha Casa, Minha Vida despencam para R$ 10 bilhões anuais — uma redução de 33% em relação a 2027.

Enquanto a baixa renda mantém os R$ 125,5 bilhões anuais até 2030, o orçamento total do Fundo para políticas públicas encolhe para R$ 163,7 bilhões por ano. O recuo reflete, segundo o Ministério do Trabalho, saques especiais autorizados recentemente e empréstimos direcionados à saúde.

Saque-aniversário: a regra do jogo mudou

Na mesma reunião, o Conselho estendeu até 31 de março a transição que permite usar até cinco saques futuros como garantia de empréstimo. A partir de novembro, o teto cai para três saques anuais, com valor travado entre R$ 100 e R$ 500 por parcela.

A medida atinge diretamente 12,2 milhões de trabalhadores. Desses, 92% ganham até quatro salários mínimos. Desde a criação da modalidade, R$ 242,5 bilhões circularam: R$ 94,2 bi no bolso do trabalhador e R$ 148,3 bi quitando dívidas com bancos.

O que observar daqui para frente

O lucro do FGTS é quem banca essa conta, sem mexer nas contas individuais. Mas a compressão de recursos para a classe média sinaliza que o crédito imobiliário fora do faixa 1 do programa tende a ficar mais seletivo e caro. Para incorporadores e investidores, o recado é claro: o volume de subsídio não cresce, e a janela de liquidez via saque-aniversário está se fechando. Ajustar o caixa e a precificação de estoques para 2028 deixa de ser estratégia e vira necessidade.