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Ancelotti aposta em “desconhecidos” da Ucrânia: o que Marlon e Alisson mudam no Brasil

Marlon Gomes e Alisson Santana, estreantes da Seleção Brasileira, com camisa do Shakhtar Donetsk
Novidades de Ancelotti: Marlon e Alisson, do Shakhtar, ganham primeira chance na Seleção Brasileira.

Carlo Ancelotti chamou seis estreantes para a última Data Fifa de 2026, mas dois nomes vindos do Shakhtar Donetsk fogem completamente do radar da torcida brasileira. Marlon Gomes e Alisson Santana não jogam no Brasileirão nem nas grandes ligas europeias, mas carregam números que explicam a aposta do italiano para os amistosos contra Japão e Singapura.

A dúvida central não é apenas quem eles são, mas como perfis tão específicos — um “dono da bola” e um driblador nato — encaixam-se num sistema que busca domínio territorial. A resposta passa por estatísticas que vão além do convencional.

Marlon Gomes: o motor de posse que Ancelotti procura

Revelado no Vasco e peça constante nas categorias de base — esteve no grupo que classificou o Brasil para Paris-2024 —, o meia de 22 anos vive seu terceiro ano na Ucrânia. A ficha técnica impressiona pela eficiência: 88% de acerto no passe.

O diferencial não está no volume, mas na verticalidade. Marlon é o terceiro jogador do elenco do Shakhtar que mais cria chances de finalização por partida: 1,4. Ele não recicla a posse lateralmente; ele avança o jogo.

Versatilidade é o trunfo tático. O ex-vascaíno já atuou como primeiro volante, meia central e camisa 10. Em um ciclo que prioriza controle, ter um coringa que transita entre a construção e o último terço dá ao treinador italiano margem para mudar o desenho sem substituir peças.

Alisson Santana: a arma de desequilíbrio pela direita

Um ano mais novo e com menos de 100 jogos profissionais, o ponta formado no Atlético-MG chega à seleção num setor congestionado: são quatro opções para o lado direito (Allan, Estêvão, Rayan e ele). A estatística que o separa da concorrência é direta: 36 dribles certos na Premier League ucraniana nesta temporada, o terceiro melhor da competição.

Alto e forte para a posição, ele alia imposição física à habilidade no um contra um. O retrospecto geral pelo Shakhtar reforça a produtividade: 15 gols e 22 assistências em 50 partidas, com três passes para gol já na atual Champions League.

Há, porém, uma nuance tática: no clube, atua quase exclusivamente aberto à direita. A canhota permite cortar para dentro, mas a adaptação a um sistema que pode pedir inversões de lado ou recomposição defensiva mais intensa será o teste real nos treinos.

O contexto da janela de novembro

Os jogos contra Japão (fora) e Singapura (casa) fecham o ano e representam a segunda janela do ciclo para a Copa de 2030. Na primeira, em setembro/outubro, o Brasil venceu a Austrália (4 a 2), empatou o retorno (1 a 1) e goleou a Índia (4 a 0).

As Eliminatórias sul-americanas ainda não têm data oficial, mas a tendência forte é início apenas no segundo semestre de 2027. Isso transforma cada amistoso em laboratório de longo prazo: Ancelotti usa o tempo para testar alternativas antes da competição oficial.

  • Objetivo imediato: Validar jogadores “fora do radar” midiático em tempo real de seleção.
  • Olhar no calendário: Copa do Centenário (2030) com sedes na América do Sul e Europa.
  • Próxima etapa oficial: Eliminatórias previstas para 2027.

O que observar daqui para frente

A presença de Marlon e Alisson sinaliza que a comissão técnica valoriza métricas de desempenho em contextos competitivos (Champions League e liga ucraniana) em vez de apenas exposição de mercado. Se a amostragem de novembro for positiva, a porta gira para outros brasileiros “escondidos” no Leste Europeu.

Para o investidor ou analista de mercado, o recado é claro: a seleção deixou de ser vitrine exclusiva de Série A e Top-5 europeias. Monitorar ligas secundárias com dados avançados virou pré-requisito para antecipar convocações — e valorizações de ativos.