Economia

Imposto do Pecado: Ambev vê neutralidade para cerveja, mas conta chega só em 2028

Cervejas Ambev em linha de produção com texto sobre Imposto do Pecado e tributação 2028
Ambev projeta neutralidade tributária para cerveja no Imposto do Pecado, mas definição final só em 2028.

O CFO da Ambev, Guilherme Fleury, confirmou que a alíquota do novo Imposto Seletivo — o chamado “imposto do pecado” — deve preservar a carga tributária atual sobre a cerveja. A declaração foi dada durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, mas esconde um detalhe crucial: a conta final só será conhecida daqui a quatro anos.

Enquanto a regra não muda, o setor convive com uma das maiores cargas do mundo. Entenda o que está em jogo para o seu negócio.

O que significa “neutralidade tributária” na prática

Preservar a neutralidade significa manter o peso dos impostos exatamente onde está hoje. Segundo o Sindicerv, a cerveja carrega, em média, 56% de tributos no preço final — soma de IPI, PIS/Cofins e ICMS.

Fleury foi direto: “A cerveja no Brasil já tem um ônus tributário imenso”. A Ambev figura entre os maiores contribuintes do país e defende a simplificação do sistema, mas sem aumento de carga.

O cronograma real: por que 2028 virou a data-chave

A reforma tributária prevê a entrada do Imposto Seletivo em 2025. Porém, apurações recentes mostram um acordo entre governo e iniciativa privada para adiar a transição. Os pontos centrais:

  • PEC em tramitação para postergar a substituição do IPI pelo Seletivo em bebidas alcoólicas, fumo, refrigerantes e veículos;
  • Medida Provisória com alíquotas que repliquem a carga atual do IPI;
  • Vigência prática só a partir de 2028 para vários segmentos.

Ou seja: o contribuinte continua pagando pelo modelo antigo por mais tempo do que o anunciado.

Como funcionará o novo modelo (quando sair do papel)

Diferente do IPI — que usa uma única alíquota ad valorem (percentual sobre o valor) —, o Imposto Seletivo adota estrutura mista, seguindo diretrizes da OMS:

  • Específica (em reais): baseada no teor alcoólico do produto;
  • Ad valorem: percentual que pode variar por categoria (cerveja, vinho, destilados).

Os números exatos dependem da publicação da MP prometida. Até lá, é especulação.

Impacto direto para quem opera no setor

Três variáveis mandam no planejamento financeiro das indústrias e distribuidoras:

  1. Caixa: manutenção da carga de 56% pressiona margens e precificação;
  2. Concorrência: players menores sofrem mais com complexidade e custo de compliance;
  3. Investimento: incerteza sobre alíquotas finais trava decisões de expansão e portfólio.

Mas o efeito mais relevante aparece no varejo e no consumo final.

O que observar daqui para frente

Fique atento a três gatilhos nos próximos trimestres: a publicação da MP com as alíquotas definitivas, o andamento da PEC no Congresso e eventuais compensações fiscais caso a arrecadação do Seletivo frustre as metas do governo — o que já é cogitado pela equipe econômica. Quem monitorar esses sinais sai na frente na precificação e no planejamento tributário de 2025 em diante.