A influenciadora Aryadna Cristina foi detida nesta quinta-feira (29) durante a segunda fase da Operação Rede Oculta, deflagrada pela Polícia Civil em Cuiabá e Várzea Grande. Menos de 24 horas antes, ela ainda publicava stories promovendo casas de apostas online — prática vedada desde setembro pela Medida Provisória nº 1.394. O que parecia apenas ostentação nas redes sociais escondia, segundo a investigação, a lavagem de dinheiro de um esquema de golpes digitais.
O golpe que mirava no Pix e na confiança
As vítimas eram abordadas em redes sociais e plataformas de compra e venda. Três modalidades principais sustentavam a fraude:
- Falsos anúncios de veículos com preços atrativos
- Golpe do falso parente pedindo transferências urgentes
- Falso funcionário de banco alegando problemas na conta
Os valores transferidos via Pix eram fracionados em quantias inferiores a R$ 10 mil, pulando entre contas de terceiros até serem concentrados em um único investigado, que redistribuía o dinheiro.
R$ 400 mil em prejuízos confirmados — e a conta pode aumentar
Até o momento, a polícia contabiliza mais de R$ 400 mil em danos às vítimas já identificadas. A quebra de sigilo telemático dos aparelhos apreendidos deve revelar novos nomes e ampliar o montante. Vinte ordens judiciais foram cumpridas contra cinco investigados: mandados de prisão, busca, apreensão e sequestro de veículos.
A influenciadora e o padrão de vida incompatível
Aryadna se apresentava como influenciadora digital em um perfil reserva com 7.690 seguidores — a conta principal somaria cerca de 58 mil. Nas redes, exibia viagens, joias e veículos de alto valor. Para os investigadores, o padrão de consumo não encontra lastro em renda declarada. O namorado dela, de 41 anos, e outras duas pessoas também foram presos. Um quinto alvo segue foragido.
O fio que liga a primeira fase à prisão atual
A Operação Rede Oculta começou em maio de 2024: 30 ordens judiciais, 15 investigados e a apreensão de um carro avaliado em R$ 153 mil. As investigações, iniciadas em 2023 após denúncias anônimas, avançaram com laudos periciais da Politec e dados financeiros obtidos judicialmente. Foi essa base que permitiu mapear a participação dos alvos detidos agora.
Facção criminosa e continuidade do esquema
Segundo a apuração, o homem de 41 anos continuava a orientar a movimentação dos recursos mesmo após ter sido colocado em liberdade na fase anterior, com auxílio da esposa — também presa nesta quinta. A polícia aponta sua ligação com uma facção criminosa. Na abordagem, foi encontrada pequena quantidade de droga, gerando Termo Circunstanciado de Ocorrência por posse para consumo pessoal.
O que observar nos próximos capítulos
A extração de dados dos celulares e a análise do material apreendido devem esclarecer a extensão da rede de “laranjas” recrutados para ceder contas bancárias — uma das presas coordenava esse núcleo. Outro ponto sensível: a promoção de bets por influenciadores em plena vigência da MP que proíbe a publicidade. A Justiça já autorizou o sequestro de bens; a tendência é que novos bloqueios e indiciamentos por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa sigam nas próximas semanas.
