Economia

O alerta que todo investidor deveria ouvir sobre o Lula 4…

Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, palestrando em jantar com empresários em São Paulo
Murillo de Aragão alerta sobre riscos do quarto mandato Lula em evento com investidores

Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, foi direto ao ponto durante jantar com empresários em São Paulo: a Nova República fracassou e tende a repetir o erro no quarto mandato de Lula. A frase ecoa como um diagnóstico duro, mas o que vem a seguir revela onde estão os verdadeiros riscos — e a única janela de oportunidade para quem tem capital exposto ao Brasil.

O quarto mandato começa sob pressão tripla: recuperar a confiança dos investidores, equilibrar as contas públicas e costurar uma base política funcional. Para Aragão, a deterioração institucional e a dificuldade de articulação entre os Poderes são obstáculos adicionais que o mercado não pode ignorar.

Por que a credibilidade fiscal virou questão de sobrevivência

O desafio central não é cortar gastos amanhã. É provar que existe uma trajetória consistente de ajuste. “O investidor acredita na tendência. Não precisa amanhã realizar todos os cortes; ele precisa mostrar que quer fazer esses cortes”, afirmou Aragão.

Sem esse sinal, a conta chega rápido:

  • Juros elevados mantêm o crédito caro
  • Percepção de risco afasta investimento produtivo
  • Empresas avaliam transferir operações — Aragão ouviu relatos de clientes cogitando o Paraguai
  • Contribuintes de alta renda estudam mudança de domicílio fiscal

“Isso é sério para o Brasil”, resumiu. A reforma tributária em implementação adiciona outra camada de complexidade: transição de sistemas, impacto nos custos e reorganização das atividades econômicas.

O Congresso que Lula terá de enfrentar

A base parlamentar não está dada. Embora a direita tenha representação expressiva, o centrão mantém agenda própria e poder de veto. “O centrão tem a agenda do centrão”, disse Aragão. Isso significa negociações caso a caso, custos políticos elevados e zero garantia de aprovação para reformas estruturais.

O executivo resume o dilema na “teoria do custo político”: sucesso depende de credibilidade + agenda simples + popularidade. Em ambiente polarizado, reunir os três elementos é o verdadeiro teste do mandato.

Degradação institucional: o risco que não está no preço dos ativos

Aragão acompanha a política nacional há décadas e classificou o quadro atual como inédito: “Eu nunca vi um grau de degradação institucional tão grande”. Aponta três vetores:

  • Fortalecimento do Judiciário além do desenho constitucional
  • Ampliação do poder do Legislativo sobre o Orçamento
  • Judicialização da política e politização do Judiciário

O resultado é um sistema com múltiplos centros de poder de bloqueio — o que impede concentração excessiva, mas também trava respostas rápidas a problemas urgentes. Para o investidor, a imprevisibilidade decisória e o enfraquecimento da segurança jurídica elevam o custo de fazer negócios no país. Episódios recentes — setor de apostas, mudanças no Pix, idas e vindas regulatórias — funcionam como sinais de alerta para capital nacional e estrangeiro.

O recado para o empresariado: sair da arquibancada

Aragão foi duro com as lideranças empresariais: “Não adianta ficar aqui em São Paulo criticando se o governo tomou a atitude A ou B. Vamos falar com o Fachin”. A crítica aponta para a necessidade de interlocução direta com as instituições, discutindo efeitos reais de decisões sobre investimento, emprego e arrecadação — sem partidarização, com foco em políticas de Estado.

“Se não houver uma efetiva participação das elites na pauta dos problemas brasileiros, nós vamos terceirizar a solução dos nossos problemas para o mundo político-institucional”, alertou.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o cenário nos próximos trimestres: (1) a sinalização clara de trajetória fiscal crível, (2) a capacidade de articular maiorias no Congresso sem paralisar a agenda, e (3) a redução do ruído institucional — ou ao menos a previsibilidade das regras do jogo.

Aragão não é pessimista com o Brasil. Ressaltou recursos, oportunidades e avanços sociais das últimas décadas. Mas potencial não se converte em crescimento sustentado sem previsibilidade e instituições funcionais. Para quem aloca capital, a mensagem é clara: o risco não está no que o governo promete, mas no que as instituições permitem que seja entregue.