Luís Eduardo Magalhães destoou da Bahia nas últimas duas eleições presidenciais, entregando maioria expressiva a Jair Bolsonaro (PL) enquanto o estado elegeu Lula (PT). O município, polo do agronegócio, revela um padrão de voto ligado diretamente ao perfil econômico local.
O dado mais recente, do segundo turno de 2022, mostra 58,61% dos votos válidos para Bolsonaro contra 41,39% para Lula. Em 2018, a vantagem foi semelhante: 58,8% contra Fernando Haddad. A consistência chama a atenção de analistas políticos e investidores.
O efeito nos pequenos negócios e no voto
A explicação não está apenas na ideologia. A cidade nasceu e cresceu com a chegada de produtores rurais do Sul do Brasil, nos anos 70, atraídos por terras baratas. Hectares que custavam o equivalente a R$ 20 hoje valem mais de R$ 30 mil.
Essa origem moldou uma população com alta renda per capita e dependência direta do ciclo das commodities. O PIB per capita de R$ 107,1 mil (dado de 2023) coloca o município na 231ª posição nacional, à frente de capitais importantes.
- 6º maior PIB da Bahia, superando centros tradicionais.
- População superior a 107 mil habitantes em 4 mil km².
- Bahia Farm Show: segundo maior evento do agro no país, motor de negócios local.
Mas o impacto mais relevante aparece na dinâmica eleitoral recente. Apesar da derrota nacional, Lula ampliou sua votação no município entre o primeiro e o segundo turno de 2022: saltou de 20.173 para 24.739 votos, crescimento de 22,6%. Bolsonaro cresceu apenas 3,1% no mesmo período.
Por que a vantagem conservadora caiu entre os turnos
A diferença bruta de votos caiu de 18.323 para 14.949. Em percentuais, a margem encolheu. O fenômeno sugere que, mesmo em redutos sólidos, há espaço para mobilização de eleitores que não compareceram na primeira etapa.
Além de Luís Eduardo Magalhães, apenas Buerarema (sul baiano) repetiu o voto no candidato da direita nas três disputas presidenciais analisadas (2018, 2022 e a eleição municipal de 2020 como proxy). Teixeira de Freitas e Itapetinga oscilaram.
O que observar daqui para frente
O oeste baiano segue como vetor de expansão agrícola. A logística de escoamento (Ferrovia de Integração Oeste-Leste e duplicação da BR-242) pode alterar o peso político da região. Para quem acompanha o mercado, o termômetro eleitoral local serve como proxy de expectativas do setor primário: câmbio, juros e política ambiental ditam o humor das urnas.
Acompanhe a evolução do PIB municipal e a taxa de comparecimento nas próximas eleições. Se a abstenção cair nos grotões do agro, a disputa por margens de 15 a 20 mil votos pode virar o jogo em pleitos estaduais apertados.
