Educação

Secretário de Educação de RO cai após TCE questionar contrato de R$ 12,6 mi

Foto do ex-secretário de Educação de RO Massud Jorge Badra Neto em cerimônia oficial
Massud Jorge Badra Neto foi exonerado após TCE questionar contrato de R$ 12,6 milhões.

O secretário de Estado da Educação de Rondônia, Massud Jorge Badra Neto, foi exonerado nesta terça-feira (28) após sete meses à frente da pasta. A saída ocorre enquanto o Tribunal de Contas apura pagamentos milionários a uma empresa de tecnologia cujos serviços, segundo a fiscalização, não foram comprovados. O que muda na gestão a três meses do fim do mandato?

O governador Marcos Rocha (PSD) nomeou interinamente Alisson Antonio Maia de Souza, até então secretário executivo, para comandar a Seduc. A transição acontece em meio a um processo que envolve duas plataformas digitais, pagamentos antecipados e documentos sob suspeita.

O contrato que detonou a crise

A investigação mira um acordo de R$ 12,6 milhões firmado em 2024 — antes, portanto, de Massud assumir o cargo. O objeto: implantação de plataformas de integração de processos de aprendizagem para a rede estadual. Duas ferramentas estavam previstas:

  • SAGE: R$ 6,1 milhões pagos em dezembro de 2024
  • Speck: R$ 6,49 milhões pagos em novembro de 2024

Segundo a Controladoria-Geral do Estado (CGE-RO), houve desembolso, mas a entrega efetiva não foi demonstrada. Servidores ouvidos na fiscalização, inclusive o fiscal do contrato, afirmaram que a plataforma SAGE era “inexistente” e nunca esteve disponível na secretaria.

O que o TCE determinou até agora

O conselheiro relator Paulo Curi Neto deu prazo de 15 dias para a Seduc apresentar toda a documentação da contratação, sob pena de multa. O foco da análise recai sobre três pontos:

  • Existência de irregularidades formais no processo licitatório
  • Eventual prejuízo aos cofres públicos
  • Responsabilização de agentes públicos e da empresa contratada

Até o momento, não há decisão definitiva sobre dano ao erário. A empresa contratada e a própria Seduc não se manifestaram até o fechamento desta edição.

Impacto na gestão e no calendário escolar

A troca de comando ocorre a menos de 90 dias do término do mandato de Marcos Rocha. Para a rede estadual, que depende de continuidade em projetos pedagógicos e infraestrutura tecnológica, a interinidade traz incerteza. Alisson Antonio Maia de Souza conhece a máquina, mas herdará a obrigação de responder ao TCE dentro do prazo estipulado.

Além disso, a auditoria apontou que, no caso da plataforma Speck, houve entrega parcial. A secretaria ainda precisa comprovar como os resultados foram efetivamente utilizados pelas escolas e pela gestão educacional — um detalhe que pode definir se houve ou não prejuízo real.

O que observar nas próximas semanas

Três movimentos merecem atenção de quem acompanha a administração pública em Rondônia:

  • Entrega da documentação ao TCE dentro do prazo de 15 dias
  • Posicionamento da empresa contratada sobre as acusações de inexecução
  • Definição se a interinidade na Seduc se estenderá até o fim do mandato ou haverá nova nomeação

O desfecho do processo pode resultar em ressarcimento aos cofres estaduais, sanções administrativas ou até encaminhamento ao Ministério Público. Para gestores e fornecedores de tecnologia educacional, o caso acende um alerta: contratos de grande vulto exigem fiscalização rigorosa de entregas, não apenas de empenhos.