Um evento ao vivo reuniu três especialistas de peso para debater os rumos da gestão pública no estado. O que eles disseram pode mudar como você enxerga a política local nos próximos meses.
A transmissão do JAC1, conduzida por Murilo Lima, colocou frente a frente tecnologia, ciência política e direito eleitoral. A combinação não foi por acaso.
Três visões, um mesmo desafio
Pablo Mendes trouxe a perspectiva de quem vive a transição digital na prática. Especialista em Tecnologia e Modernização da Gestão Pública, ele também cursa Jornalismo na Ufac — o que lhe dá um olhar duplo: o do técnico que implementa e o do comunicador que traduz.
Thales Quintão, doutor em Ciência Política e professor na mesma universidade, ancorou o debate na teoria e no comportamento institucional. Sua leitura parte de como as estruturas de poder reagem — ou resistem — à inovação.
Fechou o trio Thalles Sales, juiz titular do TRE-AC e especialista em Direito Eleitoral e Administrativo. A visão jurídica mostrou onde a lei permite avanços e onde ela ainda trava.
O efeito nos pequenos municípios
Um ponto convergente: a modernização não chega igual a todos. Enquanto a capital ensaia sistemas integrados, municípios do interior ainda lutam por conectividade básica e servidores capacitados.
Mendes citou casos onde a simples digitalização de processos reduziu em semanas o tempo de resposta ao cidadão. Quintão alertou: sem planejamento político, a tecnologia vira “enfeite de gabinete”.
Sales completou com o alerta legal: muitas prefeituras adotam ferramentas sem observar a Lei de Acesso à Informação ou a LGPD, criando passivos invisíveis.
Por que isso pode mudar em 2025
O calendário eleitoral se aproxima. Com as eleições municipais no horizonte, a pressão por transparência e eficiência sobe degraus. O debate mostrou três vetores que devem ditar o ritmo:
- Cobrança social por serviços digitais funcionais
- Exigência legal de conformidade com normas de dados
- Disputa política por narrativas de “gestão moderna”
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.
A formação que o mercado não vê
Pablo Mendes é o exemplo vivo de uma lacuna: profissionais que dominam tecnologia, gestão e comunicação ao mesmo tempo. A Ufac tem formado esse perfil híbrido, mas o mercado público ainda não sabe absorvê-lo.
Quintão defende que concursos e seleções precisam valorizar competências transversais. Sales lembra que a legislação já prevê cargos de “analista de governança digital” — pouco preenchidos por falta de candidatos qualificados.
O que observar daqui pra frente
Três sinais práticos valem monitorar nos próximos meses: editais de modernização nas prefeituras do interior, movimentação de servidores para áreas de dados e governança, e posicionamento de candidatos a prefeito sobre transparência ativa. Quem entender essa equação — tecnologia + política + direito — sai na frente, seja como gestor, servidor ou cidadão fiscalizador.
