O Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu nota oficial nesta quarta-feira (28) negando qualquer mandado de busca e apreensão contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou seus endereços. A declaração contradiz informações veiculadas mais cedo pela imprensa sobre uma suposta operação da Polícia Federal na residência do parlamentar no Lago Sul, em Brasília.
Mas a negativa do tribunal é apenas a ponta do iceberg. Horas depois da suposta operação, a aeronave que transportava Flávio e sua família pousou em Miami — confirmando uma fuga que começou dois dias antes, logo após a derrota nas urnas.
Como a fuga foi executada em 48 horas
A cronologia revela um movimento calculado:
- Domingo (26): Lula vence no segundo turno com vantagem de 4,4 milhões de votos.
- Segunda (27): Moraes determina apreensão dos passaportes (comum e diplomático) e proíbe saída do país. Flávio é abordado ao deixar a casa do pai e entrega os documentos, gravando vídeo em que afirma que “nunca pensou em fugir”.
- Terça (28): O senador cruza a fronteira com a Argentina por via terrestre, viola a ordem judicial e embarca em jatinho particular rumo aos Estados Unidos.
Dois inquéritos ativos no Supremo
A fuga não paralisa as investigações. Flávio responde a dois inquéritos em tramitação:
Relatoria de Alexandre de Moraes: investigação por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que inclui o advogado Willer Tomaz — também fora do país desde antes da eleição.
Relatoria de André Mendonça: caso Banco Master. O senador é suspeito de ter solicitado R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O pedido foi captado em mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro, revelados pelo The Intercept Brasil.
O que Flávio alega em sua defesa
O parlamentar reconhece a autenticidade dos áudios e mensagens, mas nega irregularidades. Segundo sua versão, tratou-se de captação de recursos privados para produção cinematográfica, sem envolvimento de verbas públicas ou contrapartidas ilícitas.
Essa explicação, no entanto, não afastou a suspeita da Polícia Federal — que viu risco concreto de fuga e pediu a retenção dos passaportes.
O que observar daqui para frente
Com o parlamentar fora do território nacional, a tendência é que o STF decrete sua inclusão na lista de difusão vermelha da Interpol e solicite cooperação jurídica internacional. Enquanto isso, os inquéritos seguem seu curso: depoimentos de testemunhas, quebras de sigilo e análise do material apreendido com Vorcaro devem avançar nas próximas semanas.
Para o mercado e investidores, o sinal claro é de instabilidade institucional prolongada. A permanência de um senador foragido, investigado por crimes financeiros graves, mantém o risco político elevado — e isso costuma se refletir no câmbio, na curva de juros e no prêmio de risco Brasil nos próximos pregões.
