Ciência

João Campos mira Ciência e Tecnologia: o xeque-mate para 2030?

João Campos em reunião política articulando Ministério da Ciência e Tecnologia no governo Lula
Ex-prefeito do Recife busca pasta que foi do pai para reconstruir capital político após derrota em PE.

O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) articula nos bastidores para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia no próximo governo Lula. A pasta, que já foi comandada por seu pai, Eduardo Campos, virou o alvo estratégico para o político reconstruir capital político após a derrota acachapante para Raquel Lyra na disputa pelo governo de Pernambuco.

Mas a nomeação esbarra em uma equação complexa: o PSB encolheu, o vice-presidente Geraldo Alckmin comanda a cota do partido e o Centrão bate à porta do Planalto. O desfecho dessa negociação ditará o tabuleiro pernambucano da próxima década.

Por que a Ciência e Tecnologia virou a “menina dos olhos”

João Campos sabe que pastas de orçamento bilionário, como Educação ou Saúde, estão fora de alcance para um partido com 15 deputados e quatro senadores. A Ciência e Tecnologia oferece o simbólico e o prático: resgata o legado do pai e dialoga com a promessa de Lula de renovar o governo com perfis jovens e conectados.

O ex-prefeito é, disparado, o político de esquerda com maior fluência em redes sociais no país. Quando gestor, transformou a comunicação da prefeitura em case de engajamento. Perdeu força ao deixar o cargo, mas a habilidade digital continua sendo seu ativo mais valioso para o Planalto.

O entrave Alckmin e o teto do PSB

A fidelidade do vice-presidente Geraldo Alckmin é a moeda mais forte do PSB na mesa de negociação. Lula sinalizou publicamente que a eficiência do vice será recompensada — cogita-se até a Fazenda para Alckmin. Isso reduz drasticamente o espaço para novas indicações socialistas.

O partido já ocupa o Ministério do Empreendedorismo, com Paulo Pereira, aliado direto de João. Em tese, a cota estaria preenchida. Para abrir vaga na Esplanada, o presidente precisaria fazer uma engenharia que desagradaria a base histórica do partido.

A pressão do Centrão muda o jogo

Enquanto o PSB tenta segurar espaços, o PSD acena com apoio parlamentar em troca de ministérios relevantes. O Centrão não aceita ficar de fora da reforma ministerial e tem votos para aprovar ou travar pautas prioritárias no Congresso.

Essa disputa obriga Lula a escolher entre recompensar a lealdade histórica do PSB ou garantir a governabilidade com o Centrão. João Campos entra nessa equação como uma variável de risco: nomeá-lo pode ser visto como privilégio dinástico; não nomeá-lo, como ingratidão com o Nordeste.

O cálculo real: sobrevivência até 2030

Aliados do ex-prefeito admitem: mesmo um ministério “modesto” serve de palanque. A vitrine federal permite manter visibilidade nacional, articular alianças regionais e pavimentar a volta ao governo de Pernambuco daqui a seis anos.

Sem o cargo, João fica refém de um mandato parlamentar ou de cargos secundários, o que acelera o esquecimento eleitoral. A derrota no primeiro turno em 2026 mostrou que a máquina da prefeitura não se transfere automaticamente para o estado.

  • PSB na Câmara: 15 cadeiras (mesmo número da legislatura anterior).
  • PSB no Senado: 4 cadeiras.
  • Pasta atual do partido: Empreendedorismo (Paulo Pereira).
  • Objetivo declarado: Ministério da Ciência e Tecnologia.

O que observar nas próximas semanas

A definição sai na montagem final do ministério, mas sinais antecedem o anúncio. Acompanhe se o PSB conseguirá emplacar um segundo nome de peso além de Alckmin — ou se o partido aceitará manter apenas o Empreendedorismo em troca de apoios regionais.

Outro termômetro é a relação de João com o PT pernambucano. O partido de Lula no estado tem preferência por nomes próprios. Se a base petista vetar o socialista, a porta da Esplanada se fecha de vez, empurrando o ex-prefeito para uma travessia no deserto até 2030.