A TV TEM acaba de escancarar sua estratégia para 2027 em um evento fechado para o mercado publicitário em Presidente Prudente. A emissora atingirá quase 10 milhões de pessoas espalhadas por 373 municípios do interior paulista. Mas a verdadeira oportunidade não está nos números brutos — está no que a grade nova revela sobre o comportamento de consumo da região.
O Upfront 2027 funcionou como uma vitrine de negociação antecipada, aberta até o fim de dezembro. Para quem compra mídia, é a chance de travar custos e formatos antes da inflação de janeiro. Para quem vende, é o mapa do onde o dinheiro vai circular no próximo ano.
Entretenimento: três estreias que miram nichos de alto valor
A grade de 2027 aposta pesado em identidade regional. Três novos títulos entram no ar para ocupar espaços que a concorrência nacional ignora:
- Partiu Interior com Tom: roteiro de descoberta e turismo de proximidade.
- Elas e o Agro: foco na liderança feminina no agronegócio — setor que puxa o PIB do interior.
- Damas do Sertanejo: música sertaneja sob ótica feminina, formato pronto para patrocínios de beleza, moda e varejo.
Além das estreias, retornam Empreenda Aí, Tô na Várzea e Nosso Campo. A diretora de programação, Francine Romagnoli, confirmou que a grade nasce de dados de audiência e hábitos de consumo, não de achismo. “Entregar narrativas do interior para o interior” foi a diretriz declarada.
Jornalismo que vira produto comercial
O telejornal TN1 ganha duas extensões estratégicas. TN1 em Casa leva a bancada para o almoço de 10 famílias em 10 cidades diferentes — ação que celebra os 25 anos da emissora e cria inventário nativo para anunciantes de alimentos, eletro e varejo local. A outra novidade, Do Campo Para a Sua Mesa, rastreia a origem dos alimentos, conectando produtor e consumidor final.
A apresentadora Yonny Furukawa definiu o formato: “A família reunida no almoço, comida caseira, credibilidade”. Emerson Sanchez, âncora na região de Prudente, reforçou que a interação via WhatsApp e redes já é rotina na redação. O jornalismo deixa de ser apenas custo e vira ativo de engajamento direto.
O discurso que quebrou a sala: “TV aberta não é analógica”
O consultor Fernando Morgado foi direto ao ponto na palestra Cinco mentiras que ainda contam sobre a TV aberta. O mito central: a TV seria mídia legada. A realidade apresentada: a TV TEM opera como plataforma integrada — sinal aberto, streaming, redes sociais e WhatsApp funcionando como um único ecossistema de distribuição.
Para agências e anunciantes, o recado é prático: planejar em TV aberta hoje exige pensar em multiplataforma nativa. Quem compra apenas “spot de 30 segundos” deixa dinheiro na mesa. A emissora abriu dados de Ibope e grade para que o mercado calibre o mix de mídia com precisão cirúrgica.
O que os grandes anunciantes regionais fizeram na sala
Sicoob, Unoeste e FAI não foram plateia. O gerente de marketing do Sicoob, Leandro Del Trejo, admitiu: o evento antecipa o orçamento e permite “fazer as redes com a TV” — ou seja, sincronizar campanhas de performance digital com a força da marca na tela grande. Aline Blasechi, da Unoeste, resumiu: “Planejamento é tudo”. Jesana Lima, da FAI, usou os dados de audiência para casar grade com nicho de atuação.
O padrão é claro: quem decide verba grande no interior usa o Upfront como bússola, não como cerimônia.
Agenda e janela de decisão: o que observar daqui para frente
O roadshow continua: Bauru (28/11) e Sorocaba (29/11). A janela de negociação especial fecha em 31 de dezembro. Três pontos merecem monitoramento nas próximas semanas:
- Precificação dos novos formatos: patrocínios de TN1 em Casa e Elas e o Agro ainda não têm tabela pública.
- Dados de cross-platform: a emissora prometeu entregar métricas unificadas (TV + digital) para 2027 — peça-chave para relatórios de ROI.
- Projetos sociais como ativo: Escola Solidária, Panela Solidária, Termômetro Solidário e Árvore Solidária seguem como guarda-chuva para ESG local.
Quem alinhar o calendário de mídia a essa grade nas próximas quatro semanas entra em 2027 com posições travadas. Quem esperar o carnaval, paga o preço de tabela — e disputa sobra.
