Economia

CLT bate recorde: 62% dos jovens querem carteira assinada e flexibilidade juntos

Jovens estudantes sorridentes em ambiente corporativo moderno representando preferência por CLT e flexibilidade
Pesquisa revela que 62% dos jovens querem carteira assinada em grande empresa com flexibilidade

Uma pesquisa inédita revela que 62% dos estudantes técnicos e universitários entrevistados elegeram a carteira assinada em grande empresa como o emprego ideal para os próximos cinco anos. O dado derruba a narrativa de que a Geração Z prioriza apenas autonomia ou empreendedorismo — e acende um alerta para quem recruta ou retém talentos.

O estudo “O Presente do Trabalho”, conduzido entre abril e julho de 2026, ouviu 158 alunos do Senai de Sorocaba e São Caetano do Sul e da Unifacens Sorocaba. A maioria homens (75,9%) entre 16 e 21 anos. Mesmo cientes de que a inteligência artificial deve eliminar postos tradicionais — 80% acreditam nisso —, a busca por segurança jurídica e benefícios fala mais alto.

O paradoxo da estabilidade com flexibilidade

Os números mostram uma exigência dupla. Quando questionados sobre os atributos mais valorizados, os jovens não escolheram entre segurança ou qualidade de vida: querem as duas.

  • Equilíbrio vida-trabalho: 57%
  • Propósito: 53,8%
  • Aprendizado contínuo: 52,5%
  • Estabilidade e segurança: 44,9%

Cada respondente podia marcar até três itens. Em um grupo focal, um estudante resumiu: “Na indústria, se houver boa remuneração e plano de carreira, faz mais sentido, é bem mais estável do que o freela”.

Indústria perde espaço para tech e remoto

A preferência pelo regime CLT não significa vontade de trabalhar no chão de fábrica. Apenas 12,7% citaram indústria ou fábrica como ambiente desejado. O topo da lista vai para:

  • Trabalho remoto ou híbrido: 55,7%
  • Empresas de tecnologia e startups: 22,8%

Ou seja, o contrato formal é bem-vindo — desde que venha com autonomia geográfica e cultura digital.

Outras pesquisas confirmam a tendência

O cenário não é isolado. Dois levantamentos de 2026 reforçam o mesmo padrão:

  • Serasa Experian: 92,6% da Geração Z que busca emprego prefere vagas CLT.
  • CNI: Carteira assinada é a modalidade preferida de 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos e 41,4% dos de 25 a 34 anos.

A convergência entre fontes distintas fortalece a leitura: a busca por proteção trabalhista voltou a ser protagonista.

A virada aos 18 anos muda o jogo

Renata Cardoso, consultora do CIEE Sorocaba, observa uma divisão clara por idade. “Nos jovens acima de 18 anos sim, eles têm preferência pela CLT. Exceto aqueles que não possuem experiência, esses são mais flexíveis. Buscam, além da estabilidade, maior remuneração”, afirma.

Ela explica que a procura pelos programas de estágio e aprendizagem do CIEE cai após os 18 anos, justamente quando surgem oportunidades formais de contratação. Para empresas, isso significa que o funil de entrada — estágio e jovem aprendiz — continua vital, mas a retenção exige pacotes competitivos logo na transição para o primeiro emprego efetivo.

O que o mercado de Sorocaba sinaliza

Dados locais corroboram a força da contratação formal. Em janeiro de 2026, o Mutirão do Emprego da prefeitura atraiu jovens de 14 a 25 anos para 2 mil vagas. Na Casa do Trabalhador, o perfil majoritário é masculino (51,7%), de 18 a 24 anos, com ensino médio. Só no primeiro semestre, o Sine registrou mais de 20 mil encaminhamentos.

O volume indica que a demanda por postos formais segue aquecida, especialmente entre quem está saindo da escola técnica.

O que observar daqui para frente

Para lideranças de RH e gestores de negócio, o recado é prático: ofertar CLT deixou de ser diferencial — virou requisito de entrada. O diferencial real está em como a empresa entrega, junto ao contrato, os pilares que essa geração não abre mão: flexibilidade real de horário e local, trilha de desenvolvimento clara e propósito tangível.

Quem conseguir estruturar cargos que combinem segurança jurídica com autonomia operacional vai atrair — e segurar — a força de trabalho que está entrando no mercado agora. O próximo ciclo de planejamento de pessoas deve tratar essa equação como prioridade estratégica, não como benefício opcional.