Economia

Você não vai acreditar: arena de 15 mil lugares e R$ 179 mi em Ribeirão

Projeção 3D da arena coberta para 15 mil pessoas no Parque de Exposições de Ribeirão Preto
Como ficará o complexo de eventos com arena de 15 mil lugares após concessão de 35 anos

Uma concessão de 35 anos promete transformar o Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto em um complexo de eventos com arena coberta para 15 mil pessoas. O investimento inicial previsto é de R$ 134,8 milhões — bancado integralmente pela iniciativa privada. Mas o cronograma depende de uma cadeia de aprovações que ainda pode atrasar tudo.

Os estudos foram apresentados pelo Consórcio Arena Ribeirão e receberam aval técnico de uma comissão municipal em 29 de setembro. A Prefeitura agora ajusta o modelo antes de enviar o projeto de lei à Câmara. Se tudo correr como o planejado, o edital sai em 2026 e a entrega acontece em 2028.

O projeto que promete mudar o calendário de eventos da região

A peça central é uma arena multiuso coberta com capacidade mínima contratual de 10 mil pessoas. No projeto de referência, a pista comporta 15.075 espectadores e há 138 camarotes. O palco é reversível: serve tanto para shows internos quanto para eventos na área aberta do parque.

Além da arena, o complexo ganha uma praça externa de 14,6 mil metros quadrados com arborização, quiosques, gastronomia, parque infantil, academia ao ar livre e espaço para pets. O atual recinto de exposições — palco do Ribeirão Rodeo Music e do Festival João Rock — receberá reforço em energia, água, esgoto, iluminação, pavimentação, drenagem e acessibilidade.

Estacionamentos e áreas de montagem também serão reorganizados. A ideia é eliminar gargalos logísticos que hoje limitam a realização de eventos simultâneos ou de grande porte.

Números que importam: investimento, capacidade e prazos

O estudo econômico-financeiro divide o aporte inicial em três frentes:

  • R$ 101,3 milhões para construção da arena multiuso;
  • R$ 24 milhões para reforma e modernização do parque de exposições;
  • R$ 9,5 milhões para implantação da praça externa.

Ao longo dos 35 anos de contrato, mais R$ 44,6 milhões devem ser aplicados em melhorias e substituição de equipamentos. O total projetado chega a R$ 179,4 milhões — todo custeado pelo futuro concessionário.

Em contrapartida, a empresa explorará comercialmente o complexo: eventos, locação de espaços, estacionamento, alimentação e demais atividades previstas no edital.

O que fica para o município (e o que não fica)

A praça externa será aberta gratuitamente à população todos os dias, das 8h às 18h. Já a arena e as demais áreas do complexo não têm garantia de acesso livre irrestrito.

O contrato prevê que a Prefeitura possa utilizar, sem pagar pelo espaço, uma data por ano na arena e três no parque de exposições. Os custos operacionais dessas datas, porém, ficam a cargo do município.

No lado financeiro, a concessionária pagará uma outorga fixa mínima de R$ 1.049.168,54 mais uma outorga variável de até 3% da receita líquida anual. Ao fim dos 35 anos, todo o patrimônio retorna à Prefeitura.

O cronograma real: por que 2028 é um cenário otimista

Após a audiência pública de 16 de outubro, as sugestões recebidas passam por análise jurídica. O próximo passo é a Procuradoria do Município, seguida do envio do projeto de lei à Câmara. Só com a aprovação dos vereadores a licitação pode ser aberta.

O secretário de Administração, João Rafael Mião, admite que a meta é publicar o edital ainda em 2026. Mas os próprios estudos estimam cerca de dois anos entre a ordem de início e a conclusão da arena. Qualquer atraso na tramitação legislativa ou no certame empurra a entrega para além de 2028.

Mas o efeito mais relevante aparece na capacidade de atração de grandes tournês e feiras nacionais que hoje pulam a região por falta de infraestrutura adequada.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o ritmo real do projeto: a velocidade da tramitação na Câmara, a atratividade do edital para grandes operadores de arenas e a definição clara das regras de uso público versus exploração comercial. Empresas do setor de eventos e investidores imobiliários da região já monitoram o processo — a concessão pode redefinir a dinâmica de ocupação hoteleira, gastronomia e logística no entorno do parque nos próximos anos.

Quem acompanha o mercado de live entertainment no interior de São Paulo sabe: a assinatura do contrato será apenas o começo. A execução do capex prometido e a gestão de ocupação da arena ditarão se o projeto vira case de sucesso ou mais uma promessa adiada.