Tecnologia

O segredo que ninguém conta sobre as telas rachadas do iPhone Duo…

iPhone Duo dobrável com trinca horizontal na tela interna, defeito Crackgate
Primeiro iPhone dobrável da Apple apresenta rachaduras na tela dias após lançamento.

O primeiro iPhone dobrável da Apple, o Duo, começou a apresentar trincas horizontais na tela interna poucos dias após o lançamento oficial na sexta-feira (23). O fenômeno, batizado de “Crackgate”, coloca o novo CEO John Ternus sob pressão imediata antes de sua estreia em teleconferência de resultados na segunda-feira (26). A falha expõe os riscos de uma aposta bilionária atrasada em sete anos.

O tamanho do prejuízo para a reputação e o bolso

Com preço inicial acima de US$ 2.000 (cerca de R$ 10,8 mil), o Duo representava a maior mudança de design do iPhone em quase duas décadas. Relatos de usuários no Reddit e outras redes sociais, porém, mostram um padrão idêntico: a rachadura surge na parte superior do display quando o aparelho está aberto.

A Apple admitiu que um “pequeno número” de unidades é afetado e direciona clientes ao AppleCare para substituição. Para uma empresa que construiu seu valor de marca na confiabilidade do hardware, o episódio ecoa o “Antennagate” de 2010, quando o iPhone 4 perdia sinal dependendo de como era segurado. Na época, Steve Jobs culpou os usuários antes de ceder e distribuir capas grátis.

A engenharia por trás do caos: dobradiça ou lote ruim?

Especialistas apontam duas frentes principais para a origem do defeito. Francisco Jeronimo, vice-presidente da IDC, destaca que a semelhança dos danos sugere sensibilidade nas tolerâncias da dobradiça ou na sustentação da tela durante a dobra.

  • Curva de aprendizado: Mesmo com recursos de engenharia vastos, a Apple enfrenta a complexidade inerente aos dobráveis.
  • Falha de lote: Um ex-engenheiro de telas da Apple afirmou que falhas raras escapam dos testes de milhares de unidades; a hipótese é um lote específico de componentes defeituosos de fornecedor.

Samsung ataca e a lição de 2019

A rival sul-coreana não perdeu tempo. A Samsung veiculou anúncios destacando aparelhos mais finos e leves, alegando estar “anos à frente no segmento”. A provocação tem fundamento histórico: em 2019, o primeiro Galaxy Fold também apresentou rachaduras em unidades de avaliação, forçando um adiamento do lançamento.

Ternus, que assumiu o comando no mês passado sucedendo Tim Cook, havia justificado a demora da Apple alegando recusa em lançar um produto “barato e de baixa qualidade”. A ironia do momento não passa despercebida pelo mercado.

O que observar daqui para frente

Até o momento, não há anúncio de recall — medida incomum para a Apple, que prefere programas de reparo. Investidores devem monitorar três variáveis nas próximas semanas: a taxa real de ocorrência além do “pequeno número” oficial, o custo logístico das substituições via AppleCare e o impacto nos prazos de entrega, já adiados para o próximo ano sob alegação de “demanda sem precedentes”.

O cenário se complica com o precedente recente do iPhone 18 Pro Max, que sofreu perda permanente de rede na operadora AT&T nos EUA, resolvida apenas via atualização de software. A combinação de falhas de hardware e software no mesmo ciclo de lançamento testa a solidez da cadeia de suprimentos e do controle de qualidade da nova gestão.